
A transformação digital das rodovias brasileiras ganhou um novo capítulo com a implementação do Free Flow o sistema de pedágio eletrônico sem cancelas que promete reduzir filas melhorar a fluidez do trânsito e tornar a experiência do motorista mais simples e moderna.
A proposta é clara: usar tecnologia para eliminar paradas desnecessárias e tornar o deslocamento mais eficiente. No entanto, como acontece com quase toda inovação que chega antes da educação do usuário o Free Flow também passou a ser explorado por criminosos digitais.
O funcionamento do Free Flow é baseado em pórticos instalados ao longo das rodovias equipados com câmeras e sensores capazes de identificar a placa do veículo sua categoria e registrar automaticamente a passagem.
Para quem utiliza tag eletrônica, o processo é totalmente transparente com a cobrança ocorrendo de forma automática. Já para os motoristas que não possuem tag o sistema gera um débito que deve ser consultado e pago dentro do prazo estabelecido pela concessionária responsável pela via.
Todo o processo acontece sem barreiras físicas sem cabines e sem a necessidade de parar o veículo.
O problema começa quando a tecnologia avança mais rápido do que a informação. Muitos motoristas ainda não sabem exatamente como consultar essas cobranças, onde pagar ou quais canais são oficiais. Este cenário cria o ambiente perfeito para golpes baseados em engenharia social nos quais criminosos se aproveitam da novidade da urgência e do medo de multas para enganar as vítimas.
Os golpes envolvendo o Free Flow, normalmente, começam com o envio de mensagens por SMS, WhatsApp ou e- mail, informando sobre uma suposta cobrança pendente de pedágio eletrônico. As mensagens utilizam termos como: pagamento em atraso evite multa ou regularize hoje e, muitas vezes, trazem nomes de concessionárias reais e identidades visuais semelhantes às oficiais.
Ao clicar no link o motorista é direcionado para um site falso, visualmente parecido com o original, onde é induzido a informar placa CPF e dados de pagamento ou a realizar um PIX para contas controladas pelos criminosos.
O objetivo não é apenas o pagamento indevido de um valor muitas vezes baixo para não levantar suspeitas, mas principalmente a coleta de dados pessoais e financeiros que podem ser usados em outras fraudes ou vendidos em mercados ilegais. Em alguns casos o golpe não gera prejuízo imediato mas abre portas para ataques mais sofisticados no futuro.
É importante deixar claro que concessionárias não enviam links de pagamento por mensagens, não solicitam dados bancários por aplicativos de conversa e não pedem transferências para contas de pessoas físicas.
A consulta de débitos do Free Flow deve ser feita exclusivamente nos canais oficiais das concessionárias com acesso direto pelo navegador e nunca por links recebidos.
O Free Flow é uma tecnologia legítima, eficiente e necessária para a modernização da infraestrutura viária brasileira.
O problema não está no sistema, mas na forma como a desinformação cria brechas para a atuação de golpistas. Assim como aconteceu com o Pix, com boletos digitais e com outros avanços tecnológicos, a falta de conhecimento do usuário se transforma em combustível para fraudes.
No fim das contas, a tecnologia continua sendo uma aliada do motorista, desde que venha acompanhada de conscientização.
Entender como o Free Flow funciona, saber onde consultar cobranças e desconfiar de abordagens digitais inesperadas são atitudes simples que reduzem drasticamente o risco de cair em golpes.
Em um cenário cada vez mais digital informação continua sendo a melhor camada de segurança.

