13 de outubro de 2026
Adriano de Aquino

Quando as bandeiras se tornam símbolos de resistência

Bandeiras, identidade nacional e resistência. Xenofobia ou defesa da identidade nacional?

Tenho especial atenção aos modos como as multidões tratam, portam e se manifestam no uso dos símbolos nacionais.

Não me causa surpresa, sequer desperta minha atenção, ver bandos de manifestantes nascidos e criados nas nações democráticas do ocidente tremulando a bandeira da Palestina, queimando bandeiras dos EUA ou pisoteando o pavilhão nacional.

O identitariíssimo ‘superegóico’ é reflexo pueril de uma presunção baseada no delírio impotente de uma célula indigente que só encontra razão para existir se amalgamada a fluxos coletivistas supostamente contestador.

São súditos da matriz controladora, iludidos com a falsa premissa de que seu ‘embandeiramento’ tem poder de influenciar pessoas e impactar a opinião pública.

Contudo, existem manifestações de massa que portam estandartes nacionais como uma atitude consciente em defesa dos valores e princípios nacionais.

Dois fenômenos recentes – um no Reino Unido e outro no Japão – me chamaram atenção pois tratam de temas nacionais específicos mas similares. Cada um, a seu modo, aborda o problema comum da imigração em massa de grandes contingentes islâmicos, seus riscos e ameaças às culturas e modo de vida dos cidadãos nacionais e dos descendentes de migrações de outrora, então naturalizados.

Como, e por que as gigantescas manifestações em Londres e diversas comunidades do Reino Unido, ostensivamente tremulando o pavilhão de São Jorge, encontram paralelo com as manifestações que combatem a politica migratória de ‘portas abertas’ no Japão?

Xenofobia? Não! Para mim tem uma mensagem de viés conservador nessas atitudes.

Na semana passada a noticia de que milhares de manifestantes japoneses foram às ruas, exigindo deportações e pedindo o cancelamento do projeto de uma mesquita e ser fincada exatamente nas proximidades de um templo tradicional japonês, circulou nas redes sociais

A mesquita planeja transmitir a chamada islâmica para a oração — incluindo “ALLAHU AKBAR” — por alto-falantes cinco vezes ao dia, a partir das 5h da manhã.

A reação está crescendo à medida que os manifestantes argumentam que as tradições, comunidades e modo de vida do Japão não devem ser forçados a mudar para acomodar ‘novas’ práticas religiosas alienígenas.

O Japão está deixando sua posição clara e inequívoca: Resistência- proteger a cultura, as tradições e as comunidades japonesas já existentes.

Como símbolo dessa atitude, os japoneses escolheram marchar sob a famosa bandeira de 16 raios vermelhos que se estendem a partir do sol central, chamada de Kyokujitsuki.

Assim como os britânicos desfraldaram a tradicional bandeira de São Jorge em suas mega manifestações contra a politica migratória do RU , os japoneses decidiram desfraldar o símbolo histórico usado pelos samurais como uma mensagem de autodefesa do Japão.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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