24 de setembro de 2026
Adriano de Aquino

O identitarismo tornou-se psicose coletiva?

Há tempos me faço essa pergunta.

O que eu entendia como alteração do estado mental que leva uma pessoa a perder contato com a realidade e ter dificuldades para distinguir o que é real e o que não é, ganhou nova dimensão.

Sempre tive curiosidade em relação ao que passava na alma das pessoas que adotam uma identidade postiça em paralelo ao seu status real.
Eu via essas performances como excentricidades. Performar o seu oposto não me parecia um transtorno. Até porque é muito comum ver soberba, luxo e esnobismo exibicionista em muita gente de classe média que se ‘identifica’ como milionário.

Assim como não surpreende mais ninguém, filhos de banqueiros, herdeiros de fortunas monumentais, manifestarem publicamente uma ‘second life’ socialista, apoiando com um milionésimo dos seus ganhos de capital em um quarto de hora, campanhas de candidatos de esquerda que lutam para dar fim ao capitalismo.

Esse tipo de ‘identitarismo’ se incorporou na mentalidade de muita gente das classes altas.

Hoje, ao ler um artigo escrito em parceria por Anthony Blair/Sonya Gugliara, postado no The New York Post, ampliou-se para mim a dimensão do ‘identitarismo’ como manifestação de psicose coletiva. O artigo é sobre Hannah Gann(foto). Ela é professora na Filadélfia. Seu ativismo contra o Estado judeu era tão estrondoso que a levou a ser identificada e estimada por companheiros que almejam a extinção do Estado de Israel.

Tamanha publicidade fez dela protagonista principal de um outdoor móvel estacionado em frente à escola onde trabalhava com a frase: “A principal antissemita da Filadélfia”.

Hanna, já em fase avançada de identitarismo fisiológico, exagerava na maquiagem para exibir pele mais escura, carregando em excesso o bronzeamento artificial e falando um inglês carregado de sotaque afro-americano.

Em um vídeo de dezembro de 2025, Hanna, na escalada para se tornar a musa ativista pró palestina mais famosa da Filadélfia, usava um keffiyeh e exagerava no sotaque afro-americano. Como ativista LARP (Layout Role-Playing Action) frequentemente mencionava seus familiares confinados na Palestina.

Também pedia dinheiro, alegando estar em dificuldades financeiras por ter enviado remessas para seu avô e parentes encurralados na Palestina.

O problema para todo ‘identitarismo’ opcional surge quando a realidade se sobrepõem à farsa.

Na quinta-feira da semana passada o roteiro que levou Gann ao apogeu do ‘identitarismo’ pró palestina começou a desmoronar revelando a farsa grotesca que na verdade é. Uma colega de classe relatou aos repórteres que: “Observei a transformação repentina dela depois que voltou para Filadélfia após viagem com o Corpo da Paz em Ruanda. Ela claramente estava tentando parecer mais morena usando maquiagem e bronzeador artificial, e falando em inglês vernáculo afro-americano”.

Agora, despida dos paramentos identitários, Hanna, foi obrigada a reconhecer publicamente a pessoa que de fato é. Isso, caso a psicose permita ao sujeito penetrar no que é ‘si mesmo’.

Encurralada, Gann foi obrigada a dizer a verdade ou parte dela: “Escondi a verdade ou menti descaradamente sobre meu passado para todos na minha vida”, disse ela, acrescentando que o engano incluiu sua própria família.

Gann confessou arrogantemente que “permitiu que meias verdades e obscurantismos se transformassem em mentiras descaradas” porque “realmente queria se dedicar ao trabalho que estava fazendo” como “professora de jovens predominantemente negros, que ela acreditava ter conquistado a confiança com base em um sentimento de opressão compartilhada. Ela foi mentora de pelo menos um jovem branco, manipulado por Hannah com base em uma identidade falsa.

“O acesso dela a jovens vulneráveis, especialmente jovens negros, é profundamente preocupante, dado seu padrão de mentiras e manipulação”, acrescentou uma autoridade.

Gann, que leciona na Workshop School, uma escola de ensino médio do distrito escolar da Filadélfia baseada em projetos, também defendeu Keziah Ridgeway, uma colega professora da Filadélfia que foi disciplinada pelo distrito escolar por postagens privadas pró-Palestina nas redes sociais.

Em uma publicação que já foi apagada, Gann disse que havia roubado “recursos do CAIR [Conselho de Relações Americano-Islâmicas] e de outras organizações do movimento. Sinto muito por todo o mal que causei.

Mais adiante confessou: “Sou uma mulher branca, de origem judaica com privilégios e riqueza consideráveis(…)Na realidade, grande parte da minha família ainda vive em Israel.”

Seu avô, que ela dizia manter com seus parcos recursos,supostamente confinado em Gaza pelas forças de defesa de Israel, segundo informações do Inquirer, nasceu em Baltimore e nunca botou os pés na Palestina.

A impostora racial foi desmascarada após um confronto com membros de dois grupos ativistas locais. Ao contrário de que se possa supor, nenhum dos dois grupos é ligado a movimentos sionistas, conservadores ou de “extrema direita” como amam rotular os veículos da imprensa progressista.

Hannah Gann é mais uma surtada que decidiu dar sentido à sua miserável existência incorporando uma ‘identidade’ ligada à causa dos oprimidos.

Diga-se de passagem, assim como ela, milhares de privilegiados enchem o mundo com narrativas fantasiosas gestadas nas muralhas dos Castelos do Alto que nunca chegam de fato à benefícios diretos ou indiretos às miseráveis populações das baixadas, mas lhes conferem sucesso e prestigio cultural entre as elites globais.

O que restou da psicose de Gann, além de responder a inquéritos, é o apelido de “Rachel Dolezal palestina” por membros da comunidade.
Rachel Dolezal, outra notória maluca, ex-presidente da NAACP, que ganhou fama identificando-se como mulher negra, apesar de ser escancaradamente branca.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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