18 de setembro de 2026
Vera Vaia

“Perca” de Tempo!

Falar que o “julgamento” marcado para a última terça-feira no STF foi perda de tempo não tem o mesmo peso do que o popular “perca” de tempo, que estava na boca de todos que esperavam uma resposta suprema para o imbróglio vorcarez em que se meteram alguns membros da nobre casa.

E, invocando novamente a linguagem popular, foi “muito pum pra pouco cocô” (A frase original é mais esculachada, mais ao nível da reunião dos togados, porém menos elegante pra ser publicada.)

Na minha cabeça, o encontro que aconteceria às 10h da manhã de terça-feira teria uma abertura formal com cordiais “vossa excelência daqui”, “vossa excelência de lá”, e, em seguida partiria para o “vamos ao que interessa”, quando, então, teria uma fala de Moraes se defendendo ou se explicando como 52 mensagens de Daniel Vorcaro foram parar no seu celular.

A partir daí, todos os juízes deveriam dar seus votos aprovando ou não a investigação proposta pelo terrivelmente relator do caso do maior escândalo do país dos últimos tempos. Com certeza todos estariam em casa ao meio-dia, almoçando com seus familiares e até mesmo puxando um ronco depois do almoço, com a consciência do dever cumprido fosse qual fosse o resultado. Afinal, não estariam mandando um colega para a forca. Estariam simplesmente delegando uma investigação aos órgãos competentes para que concluíssem, através de provas, se o investigado estava de fato envolvido com o fraudulento ou se era uma armação eleitoreira.

Acontece que a coisa desandou, e as “vossas excelências” deram lugar aos “sujeitos”, aos “mafiosos” e até aos “pixulecos”.

Na verdade, até tinham motivos pra isso. Um juiz que tem muito a agradecer ao Senhor e ao senhor que o colocou lá, estranhamente tira do sigilo da investigação sobre o banqueiro um único nome (mesmo sabendo que tem uma caralhada de nomes de bambambãs envolvidos). Coincidentemente, esse nome pertence ao desafeto do clã Bolsonaro – clã que chegou a cogitar ter sua cabeça numa bandeja quando foi feita a planilha do golpe.
Como não conseguiram o intento daquela vez, fica parecendo que essa era a hora de mandar o careca pro quinto duzinferno.

Tá. Tudo bem que role essa desconfiança, visto que o próprio relator tem seu nome ligado ao banqueiro que o recebeu em sua empresa como sendo visita ilustre, que foi agraciado com terno caro, enfim, que não tá tão limpinho assim como quer parecer aos olhos do eleitorado bolsonarista (tão evangélico e nem se preocupa em saber se Deus tá vendo).
Além dele, outro colega que joga no mesmo time também estaria envolvido por tabela, já que seu filho teria recebido uma gorda mesada do banqueiro. Tem também o juiz do Tayayá e, chi lo sa, quantos outros nomes poderiam estar nessa interminável lista de compra de Vorcaro.

Mas naquele momento não era isso que se esperava. Era simplesmente decidir se haveria ou não uma investigação em torno de Alexandre de Moraes. Os outros entrariam na fila e pronto. Poderiam até deliberar se seriam julgados por ordem alfabética, ou de chegada, mas em outra ocasião.

Resultado: o povo insatisfeito sem uma resposta definitiva, um bando de marmanjo trocando farpas, um presidente mais perdido que cachorro em dia de mudança e uma juíza pedindo desculpas pela vergonha que o Supremo estava passando.

Foi mal. E o Supremo Tribunal Federal acabou virando um galinheiro lotado de galinhas desvariadas, sem um galo pra pôr ordem no pedaço.

Ficou mais pra supremo de frango. E olhe lá!

Vera Vaia

Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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