
C.S.Lewis disse um dia que a única maneira de lidar com um demônio é olhar diretamente nos olhos dele.
É preciso enfrentá-lo com coragem, com destemor máximo, já sabendo que se corre o risco de ser destruído durante a batalha, já que demônios não brincam em serviço, e todo cuidado ainda é pouco.
Sou tomada por essas reflexões ao tomar ciência que o Ministro André Mendonça, do STF, parece decidido nesse enfrentamento com o colega de toga Alexandre de Moraes.
E assim sendo, parece disposto a incluir Moraes na investigação do escandaloso caso Master.
Nesse sentido, desejo boa sorte ao ministro Mendonça nessa empreitada em que talvez esteja correndo o maior risco de toda a sua vida.
Sabemos todos que o intuito primeiro das instituições que dominam o centro do poder é o de protelar as investigações até que caiam no esquecimento, sobrepujados por novos acontecimentos que chamem a atenção da população e que os distraiam enquanto engavetam para todo o sempre o caso Master, e que todos os graúdos do poder nele diretamente envolvidos saiam à “francesa”, mantendo privilégios e liberdade incólumes.
André Mendonça, no entanto, parece decidido a tentar inverter essa lógica por todos nós conhecidos, qual seja, aquela em que a população sempre perde de lavada e os poderosos se mantém intactos e milionários no poder.
Mendonça tem conhecimento de que Alexandre de Moraes acessou e editou a versão final daquele contrato milionário de 129 milhões de reais assinado entre o escritório da esposa Viviane Barci e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligando-o de maneira indefectível ao contrato que teima em negar qualquer vínculo, já que seria no mínimo indecoroso um ministro da mais alta corte da justiça estar ligado a contrato advocatício estratosférico de 129 milhões de reais, o que, por si só, já causa espécie.
Não bastasse isso, Mendonça tem também conhecimento de mensagens trocadas entre Vorcaro, o banqueiro preso, e Moraes, o Ministro do STF, onde o primeiro pede a proteção de “Andrei e Paulo”, numa clara alusão aos nomes do Diretor da PF Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, nosso querido PGR, para que os “andar de baixo” não atrapalhasse as manobras no sentido de evitar a quebra do Banco.
Em virtude de todos esses escabrosos fatos, Mendonça pediu relatório à PF para que em até 72 horas esclareça com mais detalhes todo esse conchavo institucional em que os grandes chefes das maiores instituições do país estão envolvidos até o pescoço com o escândalo financeiro sem precedentes que é o caso Master.
Vorcaro está preso.
Os demais livres, leves e soltos.
Que paisinho meia boca é o nosso, meus caros!
Fujam para as montanhas, e façam suas apostas!

