5 de outubro de 2026
Silvia Gabas

Traidores

Traidor é um bicho estranho, quase inimaginável, ser que quebra a confiança e a lealdade devidas a uma pessoa, um grupo ou a um país.

No caso específico, a traição veio em dupla, nas figuras literalmente doentias de Yuval Abraham e Rachel Szor, dois israelanses que escolheram unir-se àqueles que há milênios desejam o fim do povo a que eles mesmos pertencem.

Parecem relevar com muita facilidade todas as imagens terríveis mostradas e perpetradas pelo grupo guerrilheiro Hamas – e com apoio total da população de Gaza, é bom que se diga de uma vez por todas – contra bebês, crianças, jovens, mulheres e idosos israelenses, e adotar a bandeira dos vizinhos que não os aceitam e desejam suas mortes a todo custo, “do rio ao mar”, como costumam dizer, em chavão que se tornou conhecido pelo mundo todo.

Por qual estranho motivo o fazem é resposta difícil de encontrar, mas é quase certo que a lavagem cerebral política transformou-os em inimigos da sua própria cultura, da sua própria tradição, da própria História que se perde nas areias do tempo, nos primórdios da nossa civilização.

E foi assim que foram ovacionados por tempo recorde no Festival de Cinema de Veneza- compreende-se – por uma turma de alucinados a eles assemelhados, os tais “artistas”, que vão se tornando palavra pejorativa destinada à turma que, sabendo interpretar meia dúzia de palavras e posar para uma câmera, acredita-se oráculo de sabedoria, quando na verdade assemelham-se mais a vaidosos decoradores de textos em busca de fama, dinheiro e holofotes, preferindo vender a própria alma a ter um pensamento próprio, consciente e coerente sem embarcar na barca furada do movimento “woke”, com suas pautas identitárias e defesa de tudo aquilo que lhes pareça “fraco”, “indefeso”, como se fraqueza e incapacidade de se manter de pé por suas próprias pernas fosse sinônimo de alguma espécie de santidade e carimbo na testa de portador de alguma verdade inabalável.

Não é essa a tradução da realidade.

Se o considerado “frágil” deve ser auxiliado, não deve jamais ser endeusado, como até aqui tem acontecido, levado como bandeira de gente descerebrada e desqualificada, tal como esse público de artistas que, desejando ser reconhecidos como “turma do bem” e acolhidos na própria bolha sob o risco dela ser dejetados caso ousem pensar por si só, fazem tudo “o que o seu mestre mandar”.

O motivo dos histéricos aplausos foi o documentário “NAZA”, produzido pelo “The Guardian” e dirigido pela dupla, e que acusa mais uma vez Israel de praticar genocídio da população que habita Gaza e demais cidades da região, utilizando-se de depoimentos anônimos de supostos soldados das forças israelenses que afirmam que Israel se utiliza de IA para atingir e matar de forma específica e premeditada grupos civis daquele local.

A reação de Israel foi de profunda indignação e seu Ministro da Cultura já afirma que pedirá a retirada da cidadania israelense de Yuval e Rachel.

É o mínimo que se pode esperar como resposta à dupla que vendeu a própria alma ao entregar a reputação do seu país numa bandeja de ouro àqueles que têm como objetivo primeiro a destruição do povo judeu.

Só se é traído pelos seus, é mais do que sabido, os únicos que têm a suposta confiabilidade que é quebrada com a dor da deslealdade.

Que a dupla, que foi premiada pelo Tribunal de Veneza pelo documentário “NAZA” ao mostrar as costas à sua cultura, receba também outro troféu, agora concedido por Israel, e que nele esteja gravado o seguinte recado:

“VAZA”!

Silvia Gabas

Com formação em Direito e Serviço Social, leitora compulsiva, com olhar atento para as grandes questões do mundo, dando sua contribuição através de textos publicados nas suas redes e sociais e na revista Stampa, entre outros veículos de comunicação.

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Com formação em Direito e Serviço Social, leitora compulsiva, com olhar atento para as grandes questões do mundo, dando sua contribuição através de textos publicados nas suas redes e sociais e na revista Stampa, entre outros veículos de comunicação.

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