16 de agosto de 2026
Editorial

20 anos depois, o que mudou?

Mais quatro anos de quê? De mudança ou de repetição? 20 anos depois, o que mudou? O que acontecerá se o brasileiro votar novamente no PT? São perguntas que precisam ser feitas sem paixão, sem torcida e, principalmente, sem esquecer o passado.

PT no poder: Lula já governou o Brasil por três mandatos. Dilma Rousseff governou durante um mandato completo e parte de um segundo. Somados os períodos dos governos petistas até 2016 e o atual mandato de Lula, são mais de 17 anos de PT no comando do país. Michel Temer governou entre 2016 e 2019, não era do PT, mas como era vice de Dilma, posso colocar seus dois anos e quatro meses na conta do partido, completando 20 anos de mandato do PT.

Se o brasileiro votar no PT novamente, a tendência é que o país continue preso ao mesmo ciclo de graves desafios fiscais, com o endividamento governamental subindo e a pressão tributária aumentando ainda mais sobre a população e as empresas. Com base nos dados apontados — o histórico acumulado dos governos do partido e o atual cenário fiscal —, os desdobramentos de uma nova gestão tendem a seguir um padrão bastante conhecido.

Depois de todo esse tempo, a pergunta continua sendo inevitável: o que realmente mudou?

O Brasil continua convivendo com uma dívida pública elevada e crescente. Em maio deste ano, a dívida bruta do governo geral chegou a 81,1% do PIB, enquanto o déficit nominal acumulado em 12 meses alcançou R$ 1,26 trilhão. Em 2025, a carga tributária bruta brasileira chegou a 32,4% do PIB, segundo o Tesouro Nacional. A receita para enfrentar o problema é sempre a mesma: aumentar a arrecadação: mais impostos, mais contribuições, mais mecanismos para elevar a receita e, ao mesmo tempo, dificuldade para conter o crescimento das despesas.

E aqui está uma das grandes contradições brasileiras: o cidadão paga impostos para receber do Estado serviços públicos de qualidade. Mas, quando a conta não fecha, a solução recorrente parece ser cobrar mais do mesmo cidadão. Até quando?

Como os programas de assistência e o custeio do estado demandam recursos crescentes sem o respaldo de reformas profundas para corte de despesas, a solução adotada recai inevitavelmente sobre o aumento de impostos e a criação de novas taxas. Isso consolida a carga fiscal brasileira no topo do ranking mundial, sufocando o setor produtivo.

Além disso, a manutenção de programas sociais sem sustentabilidade orçamentária corrói a estabilidade econômica a longo prazo. O endividamento elevado e o desequilíbrio das contas forçam a manutenção de taxas de juros altas para conter a inflação e o risco-país, o que encarece o crédito, inibe o investimento privado e trava o crescimento real da renda.

Sem uma mudança de rumo focada na eficiência do gasto público e na responsabilidade fiscal, novos mandatos sob essa mesma diretriz econômica tendem a aprofundar o cenário de baixo crescimento, juros elevados e dependência estatal. E quanto maior a carga tributária, menor tende a ser o espaço para o cidadão decidir o que fazer com o próprio dinheiro.

A questão, portanto, não deveria ser simplesmente PT ou não PT, Esquerda ou Direita. Deveria ser: qual projeto de país será apresentado ao eleitor?

Um país que continua aumentando despesas e procurando novas fontes de arrecadação ou um país que, finalmente, enfrente o problema das contas públicas, reduza desperdícios, estabeleça prioridades e crie condições para que o setor privado produza mais, invista mais e gere mais empregos?

Nosso déficit fiscal gira em torno de 58,7bi. Não é apenas uma discussão de números. É uma discussão sobre o futuro. É claro que isso não é trabalho só para o Executivo. Os demais poderes, precisam “subir no ônibus” e abrir mão de alguma coisa em prol de um país com espaço para crescer.

Porque, no final das contas, a pergunta que o eleitor deveria fazer antes de apertar o botão da urna é muito simples:

Depois de tantos anos, é isso mesmo que queremos repetir? Ou será que já passou da hora de experimentar outro caminho?

N.E.: com a colaboração da economista Juliana Rosa, do grupo Bandeirantes nos dados econômicos.

Valter Bernat

Advogado, analista de TI e editor do site.

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Advogado, analista de TI e editor do site.

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