
Em novembro próximo, a chinesa BYD vai lançar no Brasil um hatch compacto que pode fazer tremer o asfalto – se não nas ruas, no mercado nacional. O carro é o Dolphin-G DM-i, recentemente apresentado na Europa e que promete uma autonomia de até mil km. Híbrido do tipo plug-in, ou seja, recarregável em fonte externa, o modelo pode chegar às lojas por menos de R$ 150 mil e deve, em seguida, passar a ser montado na fábrica da marca, na Bahia.

O “terremoto” a que me refiro ali em cima tem a ver com o velho custo-benefício: como dá para notar nas fotos, esse hatch compacto é bem espaçoso. Ele tem 4,16 m de comprimento, 1,83 m de largura e generosos 2,61 m de entre-eixos – que é efetivamente a medida que indica o espaço para os passageiros – e conta com 425 litros de capacidade no porta-malas. Com a bateria totalmente carregada e o tanque cheio, pode ultrapassar os 1.000 km de autonomia total.

Isso em sua versão mais cara, que conta com uma bateria Blade de 18,3 kWh, capaz de empurrar o carro em modo exclusivamente elétrico por pouco mais de 100 km (na mais barata, com bateria de 7,42 kWh, são até 40 km).

Além da autonomia, o novo “golfinho” deve agradar pela performance. Segundo a BYD, ele pode acelerar de 0 a 100 km/h em 8,3 segundos. A potência combinada de seu motor elétrico (163 cv) com a do motor a combustão (um 1.5 de quatro cilindros e 95 cv) é de até 212 cv.Inicialmente, o motor a combustão desse Dolphin G poderá ser abastecido apenas com gasolina, mas a perspectiva é de que, à medida que o índice de nacionalização do carro montado aqui aumente, ele passe a ser equipado com um motor flex, aceitando também o nosso etanol.

Carro nacional ou somente (mais) um quebra-cabeça importado?
E aqui cabe comentar que há uma polêmica de consideráveis proporções rolando no meio automotivo (incluindo até a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – Anfavea) sobre a taxação de veículos importados semiprontos/desmontados, vendidos como “produzidos no Brasil”, mas que praticamente não possuem partes produzidas aqui.

Os mais comuns são os chamados CKD, do inglês completely knocked down, ou completamente desmontados. Em fábricas como a da BYD, boa parte da produção ainda é composta desses quebra-cabeças, que vêm da China e são apenas montados aqui, utilizando mão de obra local. Há ainda outro tipo de operação semelhante, com carros SKD (*semi knocked down*, parcialmente desmontados), para a qual são necessários bem menos operários.
A briga das empresas já instaladas no Brasil há mais tempo e que realmente produzem seus carros (ou a maior parte deles) aqui acontece principalmente porque as novatas estão recebendo incentivos fiscais, incluindo reduções ou mesmo isenções de taxas de importação, o que acaba dando aos seus produtos vantagem em termos de custo-benefício no mercado.

Acontece que a maioria dessas “veteranas” recebeu mais ou menos o mesmo tipo de estímulo quando instalou sua primeira linha de montagem no Brasil. Como contrapartida, todas tiveram de cumprir um calendário de nacionalização progressiva, registrado em contrato ou acordo, passando aos poucos a produzir as partes localmente e/ou comprar componentes de fornecedores nacionais.
Algo semelhante ao que está acontecendo hoje, quando os governos federal, estaduais e municipais procuram estimular a vinda de novos fabricantes com esse tipo de incentivo. A questão, portanto, é fiscalizar e cobrar que esses acordos sejam respeitados e os cronogramas sejam cumpridos pelas novas montadoras.Vale também informar que, mesmo as marcas com trajetórias mais longas no Brasil, ainda hoje utilizam diversos componentes importados na montagem dos veículos vendidos aqui. A depender do modelo, isso pode incluir de um sistema de processamento para o gerenciamento do motor até o próprio motor, inteiro.

Para poderem fazer isso, essas empresas também contam com cotas de importação, com isenções e exigência de contrapartidas.
Espera-se que a BYD, assim como as demais empresas que estão instalando linhas de montagem por aqui, se submeta às mesmas regras e prazos e que este Dolphin híbrido atinja realmente um alto índice de nacionalização em poucos anos. Se não, o ganho de tecnologia, a maior concorrência de marcas e modelos e a criação de empregos para brasileiros serão apenas temporários.

Dolphin G DM-i pode ser um quebra-galho em um apagão
Voltando ao BYD Dolphin G DM-i, além do pacote eletromecânico, ele deve representar também uma evolução em termos de tecnologia e recursos em relação ao Dolphin puramente elétrico que é montado hoje em Camaçari, BA – e que deve seguir em produção, ocupando um espaço logo abaixo na gama, em termos de preço.

Pelo material de divulgação fornecido aos colegas europeus, já dá para revelar que o novo carro terá uma central multimídia maior, de 12,8 polegadas, integrada ao Google e a um sistema de câmeras em 360º, painel de instrumentos digital maior e mais sofisticado, pacote ADAS (assistentes de condução) mais completo, chave NFC (Near Field Communication, ou, simplificando, por aproximação) e teto panorâmico. E poderá servir como bateria auxiliar para alimentar equipamentos externos, como a geladeira e a iluminação de um acampamento ou de uma casa, em caso de necessidade.
Fotos de divulgação
Fonte: Rebimboca Comunicação

