
Em ritmo de Copa do Mundo, tem juiz tomando decisões saídas de sua própria cabeça que mostram, com clareza, qual é o time de sua preferência. No começo da semana, esse juiz, que foi indicado para o torneio pelo pai de um dos jogadores que irão participar do campeonato a ser realizado em outubro próximo, decidiu tirar do ar uma espécie de bolão de apostas patrocinado pela AtlasIntel, só porque o time que aparece em desvantagem reclamou dos métodos usados pelo instituto.
O jogador que se sentiu lesado por ter caído seis pontos na preferência dos apostadores não gostou do resultado apresentado e reclamou direto com o juiz. O árbitro, então, em sinal de agradecimento pelo favor recebido quando da sua indicação, acatou o pedido de imediato, sem pestanejar, sem sequer questionar se isso está nos estatutos da gafieira.
O argumento usado para tal atitude, que está sendo chamada por aí de censura, foi a de que o instituto teria usado um áudio que revela o jogador metido em falcatruas que envolvem um filme que enaltece as “qualidades” de seu pai e um golpista, que ele chama de irmão, hoje devidamente encarcerado.
Só que isso não tem muito sentido, porque essa gravação já tinha sido amplamente divulgada pela mídia, não só a daqui como também a internacional. Está claro como água que o atleta em questão está mais sujo que pau de galinheiro e um resultado negativo entre os apostadores era mais do que esperado.
Quem, em sã consciência, apostaria suas fichas em alguém que pode, a qualquer momento, ser expulso de campo, e até mesmo vir a carregar uma tornozeleira eletrônica como seu pai, o que o impediria de participar dessa ou de qualquer disputa? Como a decisão desse juiz foi monocrática, um VAR foi solicitado, mas um dos árbitros auxiliares pediu vistas e o resultado ainda pode demorar.
O que não muda nada, porque nesse intervalo outros institutos de apostas divulgaram seus bolões e o tal jogador continua caindo na preferência popular. A moral dessa história imoral é que um time que entra pra jogar tem de ter capacidade de fazer bonito em campo.
Porque, se vencer jogando sujo, pode perder a admiração até mesmo de seus torcedores (desde que não pertençam à linhagem “gadus acefalus”, claro! Esses não veem, não ouvem, não creem, não pensam). Vamos ficar no aguardo de novos bolões. E de olho em juízes que apitam fora das quatro linhas do estádio.

