16 de maio de 2026
Carlos Leão

“Deixe as pessoas serem felizes, velho chato!”

Gente, Outro dia, por comentar comportamento por aqui, recebi um conselho: “Deixe as pessoas serem felizes, velho chato!”

Anotei mentalmente porque é sempre bom aprender.

Porque felicidade hoje virou uma coisa muito democrática. Muito expansiva. Muito… audível.

A pessoa feliz, hoje, é aquela que fala alto. Mas não é pouco não. É Muito alto. Ri alto. Gargalha alto.

Ou seja, a “evolução” é inegável.

Você entra num restaurante e já percebe várias pessoas profundamente “felizes”. Elas falam todas ao mesmo tempo, em volumes diferentes, tipo uma orquestra desafinada da autoestima.

E existe o viva-voz.

O viva-voz talvez seja a maior invenção da modernidade depois da roda. Porque agora ninguém mais precisa sofrer sozinho uma ligação. Todos participam.

“Amiga, você acredita no que ele fez?” Acreditamos. A mesa inteira acredita.

No cinema também é lindo ver a felicidade coletiva. Tem sempre alguém “feliz” que comenta o filme durante o filme, porque guardar uma opinião por duas horas seria um autoritarismo emocional sem precedentes.

E as crianças? Igualmente felizes, claro! Correm entre mesas, desviam de garçons, ignoram leis da física  enquanto os pais, de hoje, observam com a serenidadede quem terceirizou qualquer responsabilidade para o universo.

Na vizinhança, a felicidade é literalmente mais completa.

Um churrasquinho inocente e, de repente, um karaokê. Sim, karaokê, naquela interpretação sofrida de sucessos que já eram sofridos na versão original.

A noite avança. O volume também. E a alegria e felicidade vão se tornando cada vez mais… convincentes.

Há também a felicidade motorizada.

Ela passa acelerando motos e carros esportivos — de preferência de madrugada — porque nada expressa melhor a realização pessoal desses “poetas do escapamento” do que acordar desconhecidos.

Eu confesso, gente: tenho dificuldade.

Eu gosto de uma felicidade mais silenciosa. Daquelas que não precisam de plateia, nem de amplificação. Sabe aquela felicidade que não invade? Só existe? É essa!

Talvez seja só uma velha ideia fora de moda: a de que o outro não é cenário.

Mas estou me adaptando.

Outro dia quase coloquei um karaokê aqui em casa porque achei que seria muito injusto privar a vizinhança do meu Cauby Peixoto.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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