
Sextou… em silêncio. Algumas vozes não deveriam partir tão cedo.
Maderite, meu caro,
Perdoe-me, mas isso não se faz.
Não se morre assim, aos 50 anos. Não você. Não agora. Não desse jeito.
Pessoas alegres, inteligentes, espirituosas, carismáticas — dessas que parecem carregar o sol no bolso — não deveriam partir tão cedo. Pelo menos, não deveriam nos deixar com esse buraco no peito, esse silêncio ensurdecedor onde antes havia riso, provocação e esperança.
A notícia da sua morte nos devastou. A mim e à minha família. E o mais estranho — e talvez o mais verdadeiro — é que sequer o conhecíamos pessoalmente. Mas nunca foi preciso.
Você era da família.
Daquelas presenças que entram em casa sem bater, que sentam à mesa, que viram assunto recorrente, referência afetiva, companhia constante. O Instagram foi só o endereço. A intimidade era real.
Nossa admiração por você se confundia com aquela que reservamos aos irmãos queridos, aos amigos de toda uma vida, aos parentes que escolhemos amar. E agora, amigo… agora ficou um vazio difícil de explicar.
“Sexta-feira, papai! Pode olhar aí! Mei-dia! Ah… meu fio, quem fez, fez! Quem não fez, de agora pra frente, esquece, porque não faz mais!”
E como dói escrever isso no passado.
Nossas sextas-feiras nunca mais serão as mesmas.
Você entende agora a dimensão do que fez conosco? Com seus dois milhões de seguidores?
Dois milhões de órfãos, Maderite.
Órfãos de uma alegria genuína.
Órfãos de uma extroversão que não se fingia.
Órfãos de uma simpatia que atravessava telas e alcançava corações.
Órfãos de um homem bom.
De um pai zeloso.
De um avô amoroso.
Órfãos de alguém que defendia com coragem a pátria, a família e, acima de tudo, a liberdade — esse compromisso primeiro de Minas com seus filhos. Minas, sua terra amada, hoje em luto por um dos seus mais autênticos.
Órfãos de um conservador temente a Deus, de caráter reto, postura proba, que não negociava valores e apontava o norte com firmeza para sua legião de homens de bem. Hoje, todos profundamente entristecidos, atônitos, desamparados pela sua partida tão precoce.
Na sua última sexta-feira, 06/02/26, você disse algo que agora nos arrepia como profecia:
“Por aqui, sextamos num país das tragédias anunciadas.”
Mal sabia você. Mal sabíamos nós.
A maior tragédia anunciada não era a do Brasil improvável que você denunciava com lucidez, mas a sua própria ausência. A perda da sua voz — tão clara, tão firme, tão necessária — para a esperança que nela depositávamos.
Na próxima sexta-feira, não ouviremos mais o indefectível “sextouuuuu, papai”.
Mas não importa, Maderite.
Esse grito já não é apenas seu.
Ele ficou.
Ficou entranhado na alma mineira, na memória coletiva, no coração de quem encontrou em você mais do que um influencer — encontrou um símbolo de alegria, coragem e esperança.
Você se foi cedo demais.
Mas deixou demais para ser esquecido.
Descanse em paz, amigo.
Por aqui, seguimos tentando sextar… com saudade.

