20 de agosto de 2026
Professor Taciano

A história desmascarando a amnésia petista

Quando a anistia servia à esquerda, era um instrumento de “reconciliação nacional”. Hoje, virou um “atentado à democracia”.

Para os jovens que não vivenciaram os fatos históricos da política nacional e hoje se deixam doutrinar pelo lulopetismo, deveriam pelo menos serem bons alunos e estudarem nos livros de história do país.

Mas como professor vou ser gentil e vou dar essa aula mesmo não sendo minha área, afinal sou professor das ciências exatas e em especial da matemática.

Vamos aos fatos!

A política brasileira, como sempre, continua sendo um palco de conveniências. O tema da anistia volta ao centro do debate nacional, e o que se vê é mais um espetáculo de hipocrisia.

O PT, que hoje se apresenta como o paladino da justiça e da moralidade, levanta a voz contra qualquer tentativa de anistiar adversários políticos. No entanto, o que o PT parece querer esquecer – ou fazer o povo esquecer – é que no passado foi justamente o seu partido foi um dos grandes beneficiados por medidas de anistia e perdão político.

O movimento da oposição em favor da aprovação pelo Congresso de um projeto de lei para anistiar condenados do vandalismo do 8 de janeiro tem seu maior foco de resistência nos partidos de esquerda e no governo Lula.

Curiosamente, a pacificação buscada por meio desse instrumento previsto pelo Código Penal – e que foi, ao contrário do que prega Lula hoje, um dos principais temas do discurso do ex-presidente Bolsonaro no evento político da Avenida Paulista, beneficiou ao longo da história sobretudo o campo progressista ligado à esquerda.

A Lei da Anistia de 1979 permitiu que milhares de brasileiros retomassem suas atividades públicas com ficha limpa. Além daqueles que haviam apenas criticado o regime militar, também foram beneficiados 700 condenados por participarem da luta armada, com assaltos, terrorismo, sequestros e assassinatos.

A medida aprovada pelo Congresso durante o governo de João Figueiredo, o último do período militar, abriu caminho para a redemocratização, consagrada na Constituição de 1988.

Indivíduos da esquerda, todos anistiados, como José Dirceu, Miguel Arraes, Luiz Carlos Prestes e Leonel Brizola ocuparam cargos relevantes, seja por nomeação ou eleição, incluindo a Presidência da República, caso de Dilma Rousseff (PT), egressa da luta armada.

Os beneficiados do outro lado pertenciam às Forças Armadas e não tiveram protagonismo na abertura política. Os agentes dos órgãos de repressão que foram identificados, parte deles responsáveis por torturas e assassinatos, somam 337, segundo relatórios de comissões do Executivo e do Legislativo.

Em 1979, após muita pressão da sociedade, o governo resolveu enviar em junho uma proposta ao Congresso que criava a anistia aos presos e exilados políticos pelo regime militar. À época, o Brasil ainda vivia sob o bipartidarismo, de um lado a Arena (partido do governo) e do outro o MDB (partido de oposição).

O projeto foi aprovado pelo Congresso em 22 de agosto de 1979. A sanção presidencial da Lei da Anistia, em 28 de agosto, resultou na libertação imediata de 17 presos políticos. Outros 35 permaneceram à espera de julgamentos pelo Supremo Tribunal Militar (STM).

Especialistas e políticos apontam que a recusa da esquerda em apoiar a anistia para rivais de direita deve-se à conveniência política. Sua resistência visaria enfraquecer bases de apoio, silenciar vozes da oposição e tirar candidatos competitivos das urnas.

Quando lhes interessava, a anistia era vista como um instrumento democrático, necessário para a “reconciliação nacional”.
Hoje, quando a narrativa exige demonizar opositores, a mesma anistia se transforma em um “atentado contra a democracia”.

Esta seletividade escancara o jogo de dois pesos e duas medidas, típico de uma classe política que só enxerga princípios quando eles servem aos seus próprios interesses.

A memória curta é um recurso útil para quem aposta no esquecimento popular. Mas a história está registrada: lideranças do PT e seus aliados diretos já foram favorecidos por anistias fiscais, políticas e até judiciais. O discurso inflamado de agora soa, portanto, vazio e oportunista.

O verdadeiro perigo para a democracia não é a anistia em si, mas a hipocrisia de quem a defende apenas quando lhe convém. A coerência deveria ser a marca de quem se diz representante do povo, mas no Brasil ela continua sendo artigo de luxo, quase inexistente.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.