Festa Junina agora só com Consultoria da Unicef, Termo de Responsabilidade do Vaticano e aval dos Direitos Humanos

Outro dia, navegando sem rumo pelo alto-mar do TikTok, dei de cara com um vídeo da tal Rivo.News sobre o fenômeno da “Problematização Caipira”. Confesso que achei que fosse piada. Mas não. Era sério. Seríssimo.
A história começa com um colégio de São Paulo que, tomado por um súbito surto de consciência social (ou crise existencial, ainda estou na dúvida), decidiu escrever uma carta às autoridades suplicando uma reflexão urgente: será que estamos oprimindo os caipiras nas festas juninas?
Segundo o iluminado colégio, nossas crianças, até então agentes do mal disfarçadas de pequenos dançarinos, estariam reproduzindo preconceitos terríveis ao usar chapéu de palha desfiado, calça remendada, pintinhas no rosto, bigodes desenhados e, Deus nos livre, dente pintado de preto! Um horror, uma tragédia civilizatória!
A ordem agora é abolir as marcas do “atraso rural” e vestir os pequenos com roupas alegres, cheias de cores vibrantes, flores, fitas e, quem sabe, um toque fashionista para impressionar no Instagram da escola. Porque o importante não é mais dançar quadrilha: é garantir que a foto da festa gere engajamento consciente.
Depois de assistir ao vídeo, cheguei a uma conclusão inequívoca: o Apocalipse não é só necessário, é urgente! O mundo virou de cabeça pra baixo, deu três mortais carpados e caiu de bunda na lama.
Estamos diante da vitória esmagadora da geração “freireana”, que domina tudo — do prézinho ao pós-doc das universidades, esses templos modernos do atraso com verniz de inclusão. Ninguém mais lê Monteiro Lobato, ninguém assiste Mazzaropi. Aposto que muitos educadores nem sabem quem foi o Jeca Tatu — se souberem, já estão planejando cancelar.
Ah, o remendo na calça! A calça “pega frango”! O chapéu de palha desfiado! São parte da história, gente! O caipira não era um personagem inventado para humilhar ninguém. Era um retrato carinhoso e, sim, bem-humorado, de quem vivia da terra, com seus valores, suas dificuldades e uma dignidade que nem mil hashtags politicamente corretas conseguem enxergar.
Mas não. Agora o remendo é preconceito, a trancinha é opressão, e a barba desenhada com lápis de olho da mãe virou crime contra a humanidade.
Só falta exigirem que o balão seja biodegradável, o milho orgânico e a quadrilha coreografada por uma companhia de dança contemporânea, com patrocínio da ONU.
Que esses educadores iluminados não metam as mãos sujas de “lacração” na nossa festa junina. Deixem as crianças felizes, com suas pintinhas tortas e dentes pretos, enquanto dançam “Olha a cobra!” (É mentira!) sob uma chuva de pipoca e confete. Porque, no fundo, o caipira sempre foi isso: um brasileiro que, mesmo com remendo na calça, nunca deixou faltar alegria no coração.
Imagem: Fonte/Internet

