
Em meio às cenas apocalípticas que, a cada minuto, invadem nossos celulares e nos põem a par e passo com o tamanho da tragédia gaúcha e a dor doída do seu povo, Deus está nos permitindo enxergar a grandeza do brasileiro.
Deus está nos permitindo enxergar a força da união, o poder da solidariedade, a magnitude da determinação, a importância da superação e, sobretudo, a relevância do amor ao próximo quando o povo se une em torno de si mesmo pela sobrevivência, pela dignidade, pela vida de irmãos.
Deus está nos permitindo enxergar o poder de adaptação da nossa brava gente às mais insólitas e perigosas situações diante do caos e da inépcia de administradores letárgicos, burocráticos e insensíveis que tentam esconder sua incompetência sob o manto de supostas fake news.
Ao invés de fugirem do perigo, brasileiros de todos as etnias e padrões sociais juntam-se aos irmãos gaúchos para enfrentá-lo.
Uma verdadeira força aérea privada formada pelos mais variados aviões e helicópteros de empresários solidários encontram pistas e pousam com comida, água, remédios e insumos que alimentam os desabrigados que não fogem à luta.
De repente, uma surpreendente “Marinha”, formada por uma esquadra naval de botes, lanchas, jet-sky, barqueiros, surfistas, salva-vidas, nadadores, mergulhadores profissionais vindos das mais longínquas praias brasileiras, junta-se a outros brasileiros e gaúchos que, destemidos e determinados, desafiam as águas em busca dos desafortunados que boiam ao sabor da tragédia.
Uma frota de jipes, off roads e tratores continua rumando em direção ao sul como uma verdadeira cavalaria indo ao encontro dos mais improváveis terrenos na sublime tentativa de salvar, socorrer e apoiar o semelhante em desespero momentâneo.
Deus está nos permitindo enxergar os mesmos aproveitadores de sempre, a mesma mídia tendenciosa, os mesmos burocratas sentados nas cadeiras do poder que tentam de todas as formas dissuadir pessoas de acreditarem em seus próprios olhos. Agem desafiando o Criador como se para eles o Juízo Final fosse uma Corte mundana.
A sociedade civil, numa prova inequívoca de união, disciplina e determinação sem precedentes na história da pátria, deu mostras de competência e força que robustece a indiscutível teoria que um povo unido jamais será vencido.
“Mas não basta pra ser livre, ser forte, aguerrido e bravo. Gaúcho que não tem virtude acaba por ser escravo. Mostremos ao mundo o valor e a constância do povo farroupilha nesta ímpia e injusta tragédia. E que sirvam suas façanhas de modelo à toda Terra.”
Meus amigos gaúchos, abraço-os com a solidariedade maior que o mundo. Abraço-os com um incomensurável orgulho pátrio. Abraço-os com a certeza da sua reconstrução alicerçada na mais emocionante demonstração de força e resiliência.
Abraço-os pela rara oportunidade de mostrarem ao resto da pátria que não há tragédia que os impeça lutar pela dignidade, pela sobrevivência e, sobretudo, pela mesma liberdade inspirada naquele 20 de setembro.
O Senhor é contigo, Rio Grande!

