Os 15.069 minutos de fama


Neymar Bastilha, meninos da Tailândia, juízes plantonistas, piston de gafieira, pitonisas japonesas de Pequim, Papa Francisco, órfãos de Jesus refugiado e travesti, a Wikipédia e até o – homofóbico, racista, misógino, pedófilo, pedicuro, feminicida, formicida, estuprador, lobisomem, bobo, feio, fedorento e agora escravocrata – Jair Bolsonaro, o popular “Messias, A Volta”; querem saber por que sou tão censurado e bloqueado no Facebook.
Porque o Facebook é uma coisa idiota feita para imbecis. É divã de pobre, frango de padaria pra cachorro ver e babar, tijolo pra massa ignara subir (trepar) e fazer discurso, Coliseu de gregos, valhacouto, lupanar e nosocômio, fogueira e carvão das vaidades, pérolas aos poucos, democracia de plástico.
Por que então tenho quatro páginas no Facebook? Porque se me censuram duas, tenho mais duas desbloqueadas.
Porque, como diziam Sêneca, Santo Agostinho e os antigos romanos sobre o carnaval, “Semel in anno licet insanire”, uma vez por ano é permitido enlouquecer. Isso em Roma que tinha 15.069 surubas por dia. Ou seriam orgias?
Assim, tenho permissão e direito de ser idiota, uma vez por ano, de vez em quando, dia e noite, “night and day”.
“Le beau est toujours bizarre”, o belo é sempre bizarro, chupava Baudelaire.
Mas o que é belo e o que é bizarro? Cada um tem os seus, não é?
Está mais para o medo do diferente, do que é estranho, do estrangeiro, daí a sinistra xenofobia generalizada. Jesus Cristo refugiado que o diga! Donald Trump também, sempre bêbado de tequila.
No país tropical, abençoado por Deus; até hoje, Nelson Rodrigues é pornográfico, apesar de angelical e nunca ter escrito e falado um só palavrão. Principalmente hoje, Nelson seria crucificado – como um refugiado – pelo politicamente correto que deixou o Brasil mais burro e mais chato.
E a maior plataforma deste Brasil chato e estúpido, logo, perigoso, é o Facebook, este oceano de patriotas e moralistas. Todos falsos, claro. “Agora que virei puta, você vem me falar de amor?”.
Assim como o refugiado que multiplicou pães e peixes, o Facebook multiplicou, ao infinito, os 15 minutos de fama, tão propagados por Andy Warhol.
O Facebook pariu gênios e especialistas em tudo. Todos têm seus minutos e anos de jornalista, escritor, fotógrafo e razão.
Escritores de domingo, jornalistas da TV Cultura, fotógrafos do ensaio sobre a cegueira.
O Facebook é o paraíso de tratados, bulas, pergaminhos, discursos e cadafalso da língua portuguesa, da lógica e do pensamento de quem, teoricamente, escova os dentes todos os dias.
O Facebook é uma tornozeleira eletrônica. Regime semiaberto, liberdade vigiada, cidade partida e repartida entre coxinhas e mortadelas, todos arrotando caviar da Friboi.
O Facebook é lugar de pegar mulher casada, como diria aquele machista, o tal do Bolsonaro.
O Facebook nunca me censurou uma só palavra, nem palavrão. Posso escrever 1069 vezes “buceta cor de rosa”, mas ai de mim se colocar a foto de um simples aparelho reprodutor feminino. Mesmo de burca…
Logo eu, tão bonitinho e ordinário, tão anjo e pornográfico sem sair de cima!
Será que Freud tinha razão? Ele dizia que o homem não consegue encarar três coisas: o sol, a morte e o sexo feminino… Eu só preciso de óculos escuros, no máximo um colírio.
O Facebook tem muita coisa legal, muita gente bacana, como eu; mas, para agradar a horda de moralistas, puritanos e idiotas que assolam o mundo, censura qualquer imagem – mesmo as artísticas – relativa a sexo; mesmo abrigando páginas ginecológicas, gonocócicas e grupos de sexo explícito. Vá entender… Certos bairros do Facebook metem medo até no Estado Islâmico.
Não estou falando daquela “arte” Santander cheia de sexo e fúria que vira e mexe, em pleno Século 21, ainda agride, provoca, é perseguida – como uma Perseguida Cor de rosa – e condenada. O Facebook censura quadros que estão nas paredes dos museus mais frequentados do mundo, inclusive por crianças.
“A Origem do Mundo”, do francês Gustav Courbet, pasmem, de 1866, é uma tela que não pode ser postada no Facebook. Pena que não dá pra contar a história desta pintura que agride tolinhos até hoje.
O Facebook censurou aquela clássica foto de uma menina nua ferida e correndo das bombas da guerra do Vietnã. Foto premiada, que desde 1972 frequenta jornais, revistas e livros escolares.
Claro que sobre mim pairam as covardes e nojentas denúncias anônimas. De “amigos da onça” que têm medo e asco do que rima com careta cor de rosa e boi da cara preta.
Mas, agora, parece que os algoritmos do Facebook decoraram meu endereço, CPF e aniversário. Nem precisa mais de denúncias anônimas, inclusive de ex-namoradas ciumentas.
Por falar em ex-namoradas, outros crimes de Padre Amaro no Facebook são as cada vez mais famosas Fake News e os perfis falsos. Isso, essa eterna vigilância, esta privacidade estuprada e arrombada, o Mark Zuckerberg não censura…
O Facebook, seus asseclas e a imprensa mineira agem assim: Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim, nos advertem. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, nos bloqueiam 24 horas, depois, uma semana e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz. Conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta e sem perdão, nos bloqueia por 30 dias, depois mais 30, mais 30; às vezes anos. E já não podemos dizer nada. Quer dizer, até podemos, eu peço in box: “manda nudes!”.
O texto acabou, podem curtir, comentar, compartilhar; retomar uma atividade normal.
PS: no próximo capítulo, o WhatsApp…

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