7 de julho de 2022
Walter Navarro

O País não é um Brasil Sério


Apenas é muito. Muito é muito pouco. Três anos e dois meses depois de Mariana, Brumadinho.
A culpa é da Dilma, claro. A culpa é do PT, claro. A culpa é da Vale, Samarco, Ferteco, etc, claro. A culpa é do Temer, claro. A culpa é do Pimentel, claro.
A culpa é nossa!
Como é fácil culpar os outros, principalmente quando eles são, realmente, culpados.
Mas… Basta!
Mariana e Brumadinho vão muito além.
Mariana e Brumadinho são o Brasil em estado puro. Um rejeito ambulante qual lava de vulcão.
Tsunami de barro.
Sério, prefiro tsunami de mar, é mais bonito, dá pra fazer filme.
A verdade é que estamos todos cagando e andando pra Mariana e agora para a tal da Brumadinho.
Fosse Belo Horizonte, a história seria outra.
É a velha história que estou cansado de repetir. O Brasil é colônia de si mesmo. Minas ainda é uma colônia sem Portugal. Apenas trocou o ouro por ferro e minas gerais.
Eu sei que país é este e sei onde vamos parar.
É o país, primeiro, do desperdício de vidas, de História, histórias e estórias.
Meu farol, Nelson Rodrigues, errou de novo.
Não perdemos o complexo de vira-latas em 1958, ao conquistar a primeira copa do mundo, na Suécia.
Continuamos mendigos, bonitinhos e ordinários!
Porra! Hoje, 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, é também aniversário de Tom Jobim, ecologista “avant la lettre”. Humanista, “avant la lettre”, porra!
Que merda é essa?
E confesso, viciado, nem eu me lembrava mais de Mariana.
Como daqui uma semana, ninguém vai falar de Brumadinho.
Ou não…
Agora, vamos ver se votei certo no Bolsonaro.
Vamos ver se daqui três anos e dois meses não teremos outra morte de crônica anunciada.
PS: Ah! E tem aquela do papagaio argentino aleijado, conhecem?

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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