Feliz e Admirável Brasil Novo

Durante os muitos, recentes e últimos finais de ano, só me batia o título daquele filme, “O Ano que Vivemos em Perigo”.
E quantos perigos!
Quanta decepção e frustração!
Quanto medo, quanta raiva, indignação, quantos desejos com cheiro ralo…
Quanto sentimento de tempo perdido!
Sentimento de nunca mais outra vez!
Desde 2002, 2015, no mínimo.
Mas, no máximo, foram 33 anos mais ou menos.
Um Brasil triste, cheio de gente vazia.
Um País do Futuro que nunca chegava.
Um Brasil esperando a banda, o bonde e Godot.
Um País deitado eternamente.
Mas…
Não há Mal que…
Depois da Tempestade a…
E de repente, o Brasil que podia ter sido e nunca foi acaba. Dá um tempo.
Um túnel no fundo da luz.
Fiat Lux.
Escrevi muito em todos estes cinco, seis anos.
Palavras ao vento do Saara, sem chá, açúcar, afeto, adoçante.
Joguei a toalha, comecei a curtir lenços umedecidos. Principalmente na passagem de 2017 para 2018, o ano que não terminou.
País partido.
Sem partido.
Com partido.
Partido alto e anão.
E o Brasil passando mais que o Tempo.
Parecia o caminhão de “Bye-bye Brasil” e eu caindo do caminhão, no meio da mudança.
E finalmente 2018 começou e 2019 está acabando.
Eu queria escrever alguma coisa, comecei a pensar, o que é sempre um perigo. Principalmente para mim.
Pensei, beijei, bebi cerveja e nada.
2019 não terminava, com inveja do ano retrasado.
Aí, agora, coisa de 15 minutos atrás, leio a mensagem da minha “chérie” amiga, a linda, gostosa, inteligente e vice versa, Adriana Carvalho Do Couto.
Adriana escolheu bem: “Desejos” de Carlos Drummond de Andrade.
“Para você, desejo o sonho realizado. O amor esperado. A esperança renovada. Para você, desejo todas as cores desta vida. Todas as alegrias que puder sorrir. Todas as músicas que puder emocionar. Desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida. Gostaria de lhe desejar tantas coisas, mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade.”
Com inveja saudável, revirei meu baú de espantos e achei outro desejo, por incrível que pareça, melhor que Drummond, porque é de Rubem Braga.
“Desejo a todos, no Ano Novo, muitas virtudes e boas ações e alguns pecados agradáveis, excitantes, discretos, e principalmente, bem-sucedidos.”

PS: Este desejo mora num livro chamado “As Boas Coisas da Vida”. Dispensa comentários… Feliz agora para todo mundo e feliz 2020 para o resto.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *