Dos Confins, via Londres, até Paris


Se a gente pode começar dos confins, podemos também começar pelo início. Foi assim. Desde 2012 eu não viajava ao exterior. Em 2011 foram duas, Miami (pela primeira vez), uma agradável, bonita e ensolarada surpresa. Miami não era a “sacoleira” que eu imaginava, mas uma cidade pulsante, moderna, uma joia num mar de Caribe. Ainda em 2011 voltei à Paris, depois de 14 anos e ainda conheci e me deslumbrei com a história e arquitetura de Lisboa e Madri.
Em 2012, fui mais longe. Primeiro, conheci Nova York, aquela imensidão de força e beleza. Na mesma viagem, realizei um sonho via Cidade do Panamá, Havana, Cuba. Adorei aquele ar decadente, de túnel do tempo, as cores, o clima. Um dia Cuba ainda escapará dos terríveis e temíveis “Irmãos Bacalhau”, sem precisar voltar aos tempos de “Cassino dos Estados Unidos”.
Em 2013, o ano que prefiro e preciso esquecer, só me aconteceu uma coisa boa (viajei nada, a não ser pra Barbacena): trabalhei muito, como até este meio do conturbado 2014; ano de Copa do Mundo no Brasil. Ano de tirar o PT agarrado aos ossos do Brasil pelas ferozes e insaciáveis mandíbulas.
Aí, pronto, no começo do ano, comecei a sonhar e programar esta viajem. Rever Londres, desde 1997, quando lá passei uma semana; rever Paris, desde 2012, que pra mim é obrigatória em qualquer Europa; rever Roma, depois de mais de 30 anos, com sua Dolce Vita e finalmente rever Lisboa que, depois de BH ganhar um vôo direto para a capital portuguesa, me atraiu pela terceira vez, antes de volta às agruras do Brasil, no próximo dia 2 de junho.
Assim, dia 14 de maio, em deliciosa companhia, comecei o não menos delicioso périplo. Pelo que vi no aeroporto internacional Tancredo Neves, o popular Confins, acho melhor transferir a Copa da mundo para a Europa, onde tudo está pronto e funcionando como relógio suíço. A poucos dias do início dos jogos; tapumes, poeira e barulho durante “48 horas por dia”.
Pude nem tomar a clássica cervejinha de saideira e bota-fora. Tudo sendo refeito e pedindo ajuda à experiência de Deus que, com um milagre, construiu todo um mundo em seis dias e ainda descansou no sétimo. Ou seria no oitavo? O trem tá feio, quase como o avião que me levou pra longe do PT até Lisboa. Bye bye Brasil, a última ficha caiu.
Um voo lotado e desconfortável. Me instalaram apertadamente, creiam-me, ao lado dos dois toaletes. Mesmo com a ajuda de um remedinho, foi impossível dar um cochilozinho, durante toda a noite, testemunhando um entra e sai contínuo de gente que fazia barulho para abrir a porta, jogando luz em minhas fatigadas retinas e estuprando com barulho de descarga meus cansados ouvidos. Tudo numa poltrona muito da apertadinha e de apertadinha, gosto de outra coisa e só. Juro! A TAP merece concorrência para seu trajeto direto, BH/Lisboa. Tá ganhando muito dinheiro com os mineiros que não precisam mais ir ao Rio ou São Paulo para alcançar os civilizados ares europeus. Ah se a British ou a Air France descobrissem o que estão perdendo…
Uma cacete greve dos controladores aéreos na França atrasou o voo Lisboa/Londres em três horas. Ainda bem que a noite está chegando apenas por volta das 20h. Depois tudo na mais perfeita ordem. Pelo jeito, este ano, o verão em Londres não vai cair num domingo e durar apenas uma tarde. Além de linda, moderna, acolhedora e limpa; a cidade está uma festa. E pelo menos nas cercanias do hotel onde me hospedei, Gloucester Road, raramente vi tanta gente bonita, homens e mulheres, principalmente as mulheres porque são mais gostosas. Dá até para entender alguém que nasceu e nunca saiu de Londres porque aquela cidade basta, é o bastante para todos os desejos.
E o melhor de tudo. A gente nem escuta ou se lembra de Dilma e bando. Bares, pubs e restaurantes cheios. Um clima delicioso e muita programação cultural com toneladas de entretenimento. Já em Paris, desde 19 de maio, lamento ter marcado apenas quatro dias na capital de todos os ingleses. Pelo menos pude rever dois queridíssimos amigos, Mike Wade e Janina Leite, esta, uma cúmplice desde 1989 em Paris, quando dividimos apartamento na Bastilha, Paris.
Além de visitar Janina e Mike, em seus respectivos subúrbios, para fugir da carestia absurda dos imóveis do Rio de Janeiro, perdão, de Londres – não sei como o Rio chegou aqui… – os longos dias convidam a demorados passeios por Picadilly Circus, Trafalgar Square – cheia de protestos políticos contra o governo do Sri Lanka e contra Putin X Ucrânia.
Desnecessário se faz em insistir sobre as belezas que margeiam o rio Tâmisa, como o Big Ben, o Parlamento, a catedral de Westminster, a roda gigante, London Eye; tudo com cara e clima de filme de James Bond.
“Well, well”, além de mais de 400 fotos, muito pouco turísticas, espero; intermináveis e suculentas noites brancas no hotel, andanças a esmo sem pressa ou destino, muita cerveja local e vinhos da Austrália, Nova Zelândia e outras “colônias” da Rainha; passeio incontornável foi entorno das tralhas e antiquários em Canden Town. A próxima parada já chegou, a deliciosa e chuvosa Paris. Mas esse capítulo fica pra próxima, que, “I hope”, seja bem próxima. Quem sabe “demain”?
PS: Ops! E não é que, hoje, dia 22 de maio, com fuso-horário e tudo, o sol voltou? Deve ser porque, na Paris de Hemingway, o sol também se levanta. Tchau.
Coluna publicada em 20/06/2014

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