
Uma conclusão que invejo: e Deus… criou a mulher. E o demônio inventou Brigitte Bardot…
Uma dúvida ainda mais invejosa: qual dos dois ficou com ela, hoje, dia 28 de dezembro de 2025? Deus e o diabo na terra do vinho, disputando a melhor taça.
2025! Que ano cruel! Quantos amigos, quantas amigas, incluindo duas ex-namoradas, Deus o diabo me tiraram? E olha que ainda temos dias 29, 30 e 31.
Já imaginaram Brigitte Bardot esquartejada? Que parte dela eu gostaria de comer, quer dizer, herdar? Comer no bom sentido, claro.
No filme “Le Mépris” (O Desprezo), 1963, de Jean-Luc Godard, lá estava Brigitte Bardot, iniciais BB, no auge do auge de sua indecente e severa beleza, perguntando ao Michel Piccoli:
– Você está vendo minha bunda?
– Sim.
– Você acha minha bunda bonita?
– Sim, muito.
– E dos meus seios, gosta?
– Sim, muito.
– O que você prefere; meus seios ou a ponta deles?
– Não sei, eles são a mesma coisa.
ÔOOooooooooooooooo Michel! Ôooooooooooo Godard! Deus dá câmera e olhos a quem não sabe ver…
Pergunta pra mim, BB! E te dou uma lista, a começar pela tua boca, que era quase um crime. Pena que nunca foi um pecado.
Graças a Deus e também aos demônios, o mundo sempre foi repleto de mulheres lindas, estes “animais” divinos e cheios de graça.
Mas, antes que me acusem de machismo, sexismo, misoginia e caspa nas unhas; lembro da definição de Jean Cocteau, atribuída a Truman Capote, sobre Ava Gardner: “o mais belo animal do mundo”. E olha que os dois não gostavam de mulher…
Que Ava, Sofia Loren, Ingrid Bergman e todo o zoológico me perdoem, mas BB era Brigitte Bardot, animal de ternura, sedução ambulante, tentação carnívora. A mulher mais bela do mundo, nascida no país do homem mais bonito do mundo, Alain Delon.
Se ele era ótima atriz? Claro, como Marilyn Monroe e basta, besta!
Em 1963, eu tinha um ano de idade, mas juro que, se BB estivesse pelada, em frente ao meu berço, eu não pediria a ela que declamasse Molière no original. Eu ia querer é mamar!
Voltando à boca de BB. Templo da Perdição! Imaginem então suas clavículas, axilas; a virilha e a… Deixa pra lá…
Quando descobri BB, ela já era cuidadora de focas, mas os filmes continuam, estão aí. As fotos também… Eu tenho uma… pena que não vou achar agora.
E sei de cada história dela… vou contar aquela que muitos pobres mortais não conhecem.
Vocês conhecem o Serge Gainsbourg e a Jane Birkin, a outra mulher mais linda do mundo? Conhecem a música, um clássico de Serge, “Je t’aime,moi non plus”?
Gainsbourg, com certeza, é o gênio maior da música contemporânea francesa mas, muito antes de morrer, ele degustou BB.
Em 1967, Serge e BB já eram famosos, um admirava o outro, um desejava a outra. BB era casada com um alemão, Gunter Sachs. Serge era feio, tarado, mas um Chopin tocando Mozart, ou Bach. Resumindo: Serge cantou e levou BB a seu abatedouro, em Paris. Ficaram lá, três dias, transando como bichos no cio, até que, depois, BB pediu: “Serge, faça a música mais bonita que você conseguir, para mim”.
Serge então, lambuzado, compôs “Je t’aime,moi non plus”. Os dois gravaram a música. Mas, ele, um “gentleman”, apesar de canalha e a pedido de BB, não lançou a gravação que seria cadafalso do casamento dela e humilhação para Gunter. Serge guardou a canção, conheceu Jane Birkin, um ano depois e, em 1969, “Je t’aime,moi non plus” virou sucesso mundial, nas vozes gemidos e ganidos de Serge e Jane.
A música chegou a ser proibida pela Igreja, puritanos de plantão e outros hipócritas que pecam entre quatro paredes ou atrás do tanque, no mato. No Brasil, grande e bobo, até hoje, a poesia pura é sinônimo de sacanagem, música de motel. Sem mais comentários.
Por falar em comentários, sob discreta orientação (ordem) de meu advogado, não vou comentar as preferências políticas de BB.
Deixo apenas a observação de que ela e eu, eu e ela, apenas gostaríamos que a França, principalmente Paris, continuasse como aquela dos maravilhosos e dourados anos 50 e 60. Paro por aqui, mas continuo.
BB era a cara bonita do seu tempo e de uma França livre, que não mais existe. A cara linda de um mundo que está derretendo, um mundo da delicadeza perdida e de um 2025 cruel, implacável e feio.
Assim, como terminar um texto sobre a eterna e infinita Brigitte Bardot, sem cair no óbvio e na redundância? Talvez voltando às primeiras linhas. Certamente Brigitte Bardot foi criada por Deus, o mesmo que inventou as flores e todas as mulheres do mundo.
PS: quase todas, só as livres
Walter Navarro Barbacena, 16h58, 28 de dezembro de 2025

