24 de maio de 2022
Walter Navarro

A mãe do juiz e o amassador de croquete


Hoje na seção e sessão “O Mundo Cada Dia Mais Chato”, a França de Brigitte Macron quer punir manifestações racistas e homofóbicas nos estádios de futebol.
Ou seja, mais um ataque politicamente correto que, em breve, chegará ao Brasil. Se já chegou, não me convidou…
Parei de ir ao Mineirão, quando proibiram a venda e, claro, o consumo de cerveja. Só voltei uma vez, convidado para um camarote, acho que para um Brasil X Argentina, talvez nas eliminatórias da Copa de 2014. Foi horrível! Achei que, por ser num camarote, rolaria até mesmo um uísque a rodo. Nada: muitas guloseimas, refrigerante e água!
A hipocrisia é tanta que, no Padrão Fifa de Qualidade, liberaram tudo, porque na Copa do Mundo, quem manda é a Fifa e não o país sede, pretensamente soberano.
Antes de escrever que não sei se esta tenebrosa situação continua, fui ao pai Google e descobri: “Em Minas Gerais, quem vai aos estádios pode beber, mas só até o fim do primeiro tempo dos jogos. Também o local é restrito: apenas nos bares atrás das arquibancadas. Tanto a venda quanto o consumo não são permitidos nos outros espaços”.
Nada mais ridículo! É como se em casa, ou no cinema, eu fosse obrigado a comer pipoca na cozinha e não em frente à TV.
E a lei ainda é mais imbecil e inútil, porque impondo estas restrições, o cidadão já chega ao estádio bêbado. E embriagado por bebidas mais fortes, como a cachaça, “o efeito dura mais”. Garanto que um elemento movido à aguardente é bem mais perigoso que outro sob os eflúvios de vulgares cervejinhas.
Então pergunto, se não posso beber durante o jogo de futebol, o que vou fazer num estádio de futebol? É preferível, mais econômico e confortável, ficar em casa.
Por estas e outras os estádios e cinemas andam vazios… A pensar e escrever, em outra ocasião!
A pergunta também pode ser adaptada. Se não posso xingar o juiz e os jogadores, “só pra aliviar, brincar, chatear e contrariar”, o que vou fazer num estádio, se na TV tem futebol muito melhor e muito mais longe do Brasil, sem precisar ficar preso no trânsito; pegar filas intermináveis, passar sede, fome, calor ou frio?
Com toda autoridade, sabedoria e experiência, meu farol, Nelson Rodrigues, dizia que o Maracanã vaia até minuto de silêncio.
Já vi e ouvi a torcida do Galo cantar nosso hino e abafar discursos e o hino nacional, no gogó.
Imaginem proibir a mais fina porcelana dos romanos de gritar no Coliseu, torcendo para leões estrábicos; um ou outro gladiador suado de espada na mão! Não há Cristão que aguente!
Racismo, além de burro, não tem graça. Mas que graça tem ir ao estádio e não poder gritar “juiz filho da puta, ladrão”; mandar um jogador “viado ou viadinho ir tomar no cu”?
Garanto que ninguém na torcida conhece as venerandas senhoras mães dos juízes.
E a não ser que um jogador tenha saído do armário publicamente, ninguém na torcida sabe como ele reage quando cai o sabonete, na hora do banho coletivo.
Para um torcedor, todo jogador adversário, por mais macho que seja, é, a priori, viado, bicha, bichona, entubador de quibe, pederasta ou comedor de churros que, de manhã, dá bom dia ao sol, as flores e à vida.
Todos meus amigos gays se tratam, entre eles, no feminino e é hilário.
Chamo todos meus amigos de canalha. E todos os meus amigos me chamam de canalha. Quando não chamo de canalha, chamo de viado ou pederasta (bicha velha), que é mais engraçado. Quando meus amigos não me chamam de canalha, me tratam por viado, viadinho, bichinha, bicha louca, alce, etc.
E juro. Não sou canalha, nem homossexual. Meus amigos também não são, necessariamente, uma coisa ou outra.
É apenas um modo informal e engraçado de conviver, ser tratado ou tratar os outros.
Quer dizer que em breve, não poderemos chamar os juízes, jogadores, bandeirinhas e gandulas de ladrão, boiola, peroba ou viado?
Imaginem alguém gritando: “Ôoooooooooo seu adepto do amor entre iguais que não ousa dizer seu nome!”.
Não posso mais chamar o Fred do Cruzeiro, de Maria? Cadê a graça no futebol, já que não temos mais futebol no nosso futebol?
Pode isso, Sr. Juiz?
E quando a juíza for uma delícia e a bandeirinha é gostosa?
Lembram da Ana Paula da Silva Oliveira? A bandeirinha ficou famosa na final entre Corinthians e São Paulo, no Campeonato Paulista, 2003. Virou capa da Playboy.
Quanto ao condenável racismo nos estádios, às vezes, nem racismo é, apenas uma provocação a mais.
E mesmo quando for sério e execrável, o racismo pode ser desmontado e ridicularizado com inteligência e bom humor.
Daniel Alves é um craque. Um grande jogador que nos deu muita alegria. Apenas acho que, na Copa de 2022, ele estará muito velho.
Quando Daniel jogava no Barcelona jogaram bananas da arquibancada em sua direção; respondeu à demonstração de racismo de forma impecável: descascou e devorou a fruta.
Ops! Fruta é homofobia? E nabo, cenoura, pepino e outros vegetais de duplo sentido?
Xingar político pode? Por enquanto?
PS: Deixo aqui uma banana, com casca de abacaxi, para racistas, homofóbicos e politicamente corretos, onde melhor lhes aprouver.
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Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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