
Acabamos de descobrir que a matemática e a estatística são matérias que, definitivamente, os bolsonaristas não dominam.
Os bravateiros da torcida do Flávio, e ele próprio, não entenderam até agora como um candidato que aparecia em segundo lugar nas pesquisas conseguiu virar o jogo e chegar em primeiro lugar.
Se isso não fosse possível, o time que liderou a tabela durante boa parte do campeonato jamais poderia perder o título. Mas acontece! E acontece muito, sabiam?
Também não entenderam como foi por que os votos dos três padres kelmons que disputaram a eleição a Presidência não foram automaticamente transferidos para Flávio Bolsonaro, apesar do apoio explícito deles.
Ora, quem votou no pãozim de queijo, no rei do gado ou no psicólogo poeta (achei linda a frase dele por ocasião do cancelamento do debate da Globo: “sem debates nossos céus não têm estrelas, nossas manhãs não têm orvalho”) mostrou claramente que se tivesse alguma simpatia pelo candidato já teria pulado a primeira etapa e votado direto nele, não?
Também não sabem explicar a prorrogação do jogo pedida pelos dois candidatos por motivos diferentes: Flávio, pelas fortes chuvas que atingiam alguns estados no dia da eleição, e Lula pelo boicote aos ônibus que políticos simpatizantes da direita resolveram deixar nas garagens para atrapalhar a mobilização dos eleitores. Prefeitos e governadores se multiplicaram em vários silvineis vasques, tentando brecar os votos que eventualmente poderiam ir pro adversário.
Mas o raciocínio mais exdrúxulo ficou por conta da “fraude ocorrida”, que teria sido satanicamente arquitetada pelo advogado do diabo, Cristiano Zanin, que tomou uma atitude diante dos pedidos, já que o poste com Ká estava desde as primeiras horas das solicitações vendo a banda passar, pensando na morte da bezerra ou conjecturando se valia ou não a pena autorizar a prorrogação.
Zanin foi lá e pimba! Mais duas horas de votação. E o que aconteceu nessas duas horas? Na cabeça dos bolsonaristas, essa teria sido a “grande fraude” que fez do golpista Flávio o perdedor do jogo.
Tentei entender como chegaram a essa conclusão e juro que fiquei confusa. A única coisa que me ocorre é que os eleitores, muitos deles já idosos, almoçaram no domingo, foram dormir depois do almoço, quando acordaram ligaram a TV pra assistir à dança dos famosos e quando veio a notícia de que ainda havia tempo para votar tiveram um clique.
Imagino que o marido se virou pra mulher e disse: Benhê, e se a gente sair agora pra votar no Lula em vez de passear na drogaria? Acharam a ideia divertida e foram para os colégios eleitorais com o 13 na ponta do dedo.
E isso teria acontecido com quase quatro milhões e meio de eleitores que saíram de casa com o firme propósito de reeleger Lula.
Portanto, seu Flávio fujão, os que deveriam estar lamentando agora seriam os proprietários de drogarias e não você. Devem ter amargado o maior preju no último domingo.
Então aceite que dói menos e aproveite sua estadia aí nos esteites.
E aqui vai uma dica: se aprender a fritar hambúrguer, quem sabe consiga um green card do orangeman. Good luck!

