23 de maio de 2022
Editorial

Menos circo e carnaval e mais seriedade

crise-rio-de-janeiroFoto: Arquivo Google

Depois de anos aturando Cabral e Pezão desgovernando o estado e praticando toda sorte de malfeitos, servidores ativos e inativos e o povo do RJ pagarão o pato? Os primeiros, além de não terem reajuste, terão desconto indireto no valor de seus proventos, com aumento da cota previdenciária de um instituto mal gerido. O povo ficará sem aluguel social (como ficarão estas pessoas?), sem os restaurantes populares, etc. Não fomos autores e nem favoráveis aos favores em troca de propinas, isenções fiscais e muitas mordomias nos três Poderes (dezenas de carros oficiais, combustível, helicópteros, muitos assessores, além dos penduricalhos na Folha de Pagamento para driblar o teto legal, etc.).
Quando o estado nadava nos royalties do petróleo, o governo não chamou os funcionários para participar da “festa”, mas após anos de má gestão do dinheiro público (e guardanapos em Paris e anéis de 800 mil em Mônaco), vem cobrar covardemente a consequência de seus desatinos justamente da parte mais essencial ao dia a dia da população, os funcionários do Executivo (professores, médicos, policiais e tantas outros serviços assistenciais). O pacote de maldades, estranhamente, deixa o Legislativo de fora de qualquer sacrifício (para que o aprove na Assembleia) e também o Judiciário (em razão de que cairá em seu colo a enxurrada de ações desse descalabro). Cabe a todos nós resistirmos a essas medidas. Agora, cadê aquele ex-(des)governador? Não será responsabilizado pela quebradeira do estado?
O governador reconhece o estado de calamidade pública, mas não faz qualquer crítica à herança maldita de seu padrinho político. É fácil falar que está “triste”, que “não queria fazer isso”… Reconhecer a crise e jogar a conta para o servidor é fácil. E as mordomias que Pezão e Cabral receberam de empresários que tiveram obras sem licitações e superfaturadas no estado, e de outros que ganharam isenções fiscais? O senhor diz que é a favor dessas isenções porque geram empregos, mas quer que o servidor pague a conta?
Absurdo o funcionalismo ter redução contingenciada dos seus vencimentos por conta do descalabro financeiro do estado. A péssima gestão financeira do estado tem culpados e a esta gente tem que ser levada aos tribunais. O Rio não pode ficar à mercê apenas de royalties de petróleo. A economia tem de ser dinamizada. Temos que atrair indústrias (sem isenções fiscais), dinamizar a agricultura, criar um ambiente de negócios. Nada se faz nesta área há décadas! Existe total paralisia em atrair dinheiro e recursos.
A invasão e a baderna na ALERJ podem ser justificadas pela revolta contra anos de corrupção, privilégios, mordomias, irresponsabilidades e dinastias mafiosas de chefes do Executivo e do Legislativo do Rio de Janeiro, para, agora, o sacrifício recair sobre o povo. As responsabilidades de Sérgio Cabral são claras, com seus vergonhosos anéis, lenços na cabeça e helicópteros para pegar cachorrinhos, emblemáticos, por demonstrarem o desprezo pelo princípio moral e pelas posturas e lisuras públicas.
A crise que nos aflige pode ser comparada, guardadas as devidas proporções, à da França no século XVIII, onde imperava a corrupção e o povo era massacrado, no mais completo estado de penúria e miséria, enquanto as autoridades viviam nababescamente. Assim, entendo que a nossa crise só terá fim quando a população se revoltar e houver um movimento organizado, nos moldes da Revolução Francesa, dando-se a todas as autoridades irresponsáveis os mesmos destinos que tiveram Luís XVI, Maria Antonieta e seus ministros.
Por favor, menos circo e carnaval e mais seriedade na gestão da coisa pública.

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Advogado, analista de sistemas e editor do site.

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