23 de maio de 2022
Editorial

Ainda sobre os combustíveis

Por aqui, o preço do barril sobe, os combustíveis sobem. O preço do barril cai e os preços se mantêm altos. Quando o barril do petróleo, lá atrás, chegou a US120, nossa gasolina subiu para R$4. O barril caiu logo após para até US$22 e ninguém viu o preço cair nas bombas.

Imagem: Google Imagens – ac24horas.com

Ao contrário do que muitos dizem: “ah o preço da gasolina só atrapalha os riquinhos e os de classe média alta”, ou “os trabalhadores de baixa renda não têm carro, logo este aumento não os atinge”. “Diesel? Bem feito para os donos das empresas de ônibus, daqueles carrões, caminhonetes e SUVs, movidas a diesel. Eles podem pagar”.

Quem usa estas frases se esquece de coisas elementares. Sim, para alguns, pode parecer que estou chovendo no molhado, mas para outros, não, por isso vou prosseguir.

Falando especificamente sobre a Gasolina e o GNV, o aumento, simples e diretamente, afeta o taxista, o motorista de aplicativo e todos aqueles que dependem do seu carro particular para seu trabalho, como por exemplo, vendedores, transporte escolar, turismo, etc. Sim, muitos táxis têm GNV como seu combustível principal, assim como quem roda muito e precisa economizar… além disso têm um desconto no IPVA, não tão bom quanto era há uns 5 anos, mas ainda continua razoável.

Falando sobre o Diesel, fica mais evidente o encargo oneroso no dia a dia para todas as classes. Os ônibus e caminhões são movidos a diesel, logo, evidentemente, estes aumentos são repassados para o custo da passagem e do frete. Isso é tão óbvio que chega a irritar quem o ignora.

Agora chegamos ao Etanol. Aí fica muito mais difícil de a Petrobras explicar. O Etanol, combustível, antes único em muito automóveis, hoje serve aos carros Flex e à mistura – pra mim inexplicável – deste produto à gasolina. Na verdade, a gasolina brasileira tem dois percentuais: 25% e 27%. A gasolina do tipo Premium, com maior octanagem, a Podium da Petrobras, a Octapro da Ipiranga e a Shell Racing têm 25% de etanol. Já a gasolina, aditivada ou a comum, tem 27% de etanol.

Alguns, com “uma DNA” – Data de Nascimento Antiga – lembrarão do PROÁLCOOL. Este foi um programa bem sucedido de substituição em larga escala dos derivados de petróleo. Foi desenvolvido para evitar o aumento da dependência externa de divisas quando dos choques de preço de petróleo, e sem problemas para o meio ambiente. De 1975 a 2000, foram produzidos cerca de 5,6 milhões de veículos a álcool hidratado (etanol).

Não consigo entender o porquê de o preço do Etanol estar subindo junto com o preço dos demais combustíveis. Aquela famosa conta que devemos fazer ao abastecer nossos carros Flex deve fazer parte hoje do dia a dia dos motoristas, principalmente dos aplicativos que alugam os carros para trabalhar e não têm GNV nos carros. Para quem não conhece, eis a fórmula:

Segundo um padrão estabelecido já há alguns anos, o litro do etanol rende, em média, 70% da mesma quantidade de gasolina. Sendo assim, você deve multiplicar o preço do litro da gasolina por 0,7. Se o resultado for inferior ao preço do litro do álcool, vale a pena abastecer com gasolina. Já se for maior, então a opção mais barata seria o álcool. Atualmente, o álcool tem sido mais vantajoso… não pra mim, que rodo muito pouco, mas para quem depende desta conta para seu trabalho, é melhor.

O governo federal tem feito de tudo, em seus Poderes Executivo e Legislativo, para minimizar estes efeitos. Foram aprovadas algumas medidas que reduzem o “prejuízo” e que permitem ao governo, medidas importantes sobre o preço dos combustíveis. Vale lembrar o que o governo federal vem dizendo há muito tempo: os impostos são os maiores vilões do preço da gasolina. (imagem a seguir)

Neste último aumento, o preço médio de venda da gasolina, para as distribuidoras, teve um aumento de 18,8%. Para o diesel, uma alta de 24,9%. A nota oficial da Petrobras diz:

“Após serem observados preços em patamares consistentemente elevados, tornou-se necessário que a Petrobras promovesse ajustes nos seus preços de venda às distribuidoras para que o mercado brasileiro continue sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras”:: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras” .

Este aumento foi contestado pelo Executivo, maior acionista da Petrobras. O pedido foi simples e direto: “Será que dá pra aguarde mais 24h para avaliar e então anunciar este aumento”?

Este pedido foi ignorado. A toda poderosa Petrobras, anunciou o aumento no dia que quis, desprezando o pedido de seu maior acionista. No dia seguinte o valor do barril que estava a US$105 caiu a US$99,15. Uma diferença que mostraria a tendência e que reduziria, se não cancelaria, a necessidade do aumento neste momento.

A política de preços da Petrobras é a adequada, aliás, é usada no mundo todo como parâmetro para o preço dos combustíveis. Não há questionamento quanto a isso, mas o Poder Executivo deve pensar num todo e não só no lucro, como é o caso da Petrobras, para seus acionistas.

Continuo dizendo que sou contra a privatização da Petrobras. Sou a favor, sim, da quebra de seu monopólio. Isso sim, faria a Petrobras, competir no mercado. Os monopólios do refino e da distribuição, já que a exploração pode ser controlada por contratos privados.

Termos outras distribuidoras e refinarias fariam com que a Petrobras pudesse, realmente, atender aos anseios do povo brasileiro, competindo no mercado.

Para finalizar, atribuo à necessidade de lucro da Petrobras e da ganância dos revendedores, os preços atuais dos combustíveis. Comparando com os países mais desenvolvidos, a nossa gasolina é a mais barata, mas fazendo-se a comparação “Salário mínimo x preço da gasolina”, perdemos feio… óbvio que outros fatores, como o valor do dólar, influem diretamente nestas comparações. De qualquer forma, elas são válidas.

A frase “O Petróleo é nosso” deve ser repensada. Isso é um entendimento antiquado de que a estatização é o melhor caminho.

O mundo já provou que este caminho está totalmente errado.

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Advogado, analista de sistemas e editor do site.

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