
Esta data foi criada pela organização Wines of Argentine, em 2011, para celebrar uma casta francesa, levada para a Argentina em 1853, e o seu vinho.
Naquela época, o Presidente Domingos Faustino Sarmiento, iniciou uma grande transformação na vinicultura do país, contratando especialistas da França, criando escolas agrícolas e trazendo novas vinhas, entre elas a Malbec.
Para esta casta e o seu vinho chegarem onde hoje estão foi um longo caminho, mais de 130 anos de erros e acertos.
Muitos se perguntam: Por que a Malbec?
Dois importantes fatos, nesta extensa linha do tempo, nos mostram que as mudas trazidas para a América do Sul chegaram aqui antes da filoxera (1860) e antes da classificação dos vinhos de Bordeaux, feita por Napoleão III em 1855.
A Malbec, então, era uma das castas mais plantadas em Bordeaux, principalmente na região do Medoc. Fácil deduzir que os vinhos que melhor se saíram, na respeitada classificação bordalesa, tinham uma boa parcela de vinho desta uva em seus cortes.
A grande mudança aconteceu após a praga. Entre as cinco varietais que eram permitidas, a Cabernet Sauvignon foi a que melhor resistiu à voracidade do pequeno inseto.
Vinhedos inteiros foram dizimados. Um prejuízo incalculável. Na hora de replantar, a Cabernet se tornou e escolha óbvia.
A Malbec sobreviveria na Argentina.
Até os anos 1990, não era considerada uma grande uva, sendo utilizada para fins menos nobres. Tornou-se uma casta esquecida e secundária.
Este quadro só mudaria com a ação de três pessoas que se tornaram icônicas no mundo do vinho: Nicolas Catena, um de seus irmãos, Jorge Catena e Paul Hobbs, que era colega de classe de Jorge, na Universidade de Davis, Califórnia.
Hobbs aceitou o convite do amigo para conhecer os vinhedos e vinícola da família, que focavam em Cabernet Sauvignon e Chardonnay.
Aqueles vinhedos desprezados atiçaram a curiosidade de Hobbs. Mesmo sendo avisado de que não valia a pena lidar com aquilo, solicitou permissão, aos Catena, para fazer algumas experiências.
Mal sabiam que isto iria revolucionar o vinho argentino e influenciar produtores em todos os cantos do mundo.
Primeiro mudaram a forma de plantio. As guias eram muito próximas do chão, não permitindo uma exposição ideal à luz solar. Foram levantadas.
A irrigação foi drasticamente reduzida, adotando novos métodos. Além disto, telas foram instaladas para minimizar os efeitos de chuva de granizos.
As cantinas foram modernizadas e implementando novos equipamentos e técnicas, focando na qualidade dos vinhos.
Em pouco tempo estas mudanças começaram a produzir vinhos muito interessantes, aromáticos, cheios de sabores frutados, macios, bem com o estilo daquela época (anos 90), muito influenciados por Parker e Rolland.
Com um preço extremamente competitivo, este sucesso rapidamente se espalhou pelo resto do mundo.
Nascia uma nova lenda: o Malbec Argentino.
Ao longo desta jornada, vários outros estilos surgiram. Vinhos com pouca madeira, terroirs de altitude, novos clones e muito mais. A força desta casta é, sem dúvida, a grande responsável pela fama dos vinhos argentinos.
Além dos tintos, hoje é possível encontrar Malbec vinificado em branco, ou como um espumante e até mesmo como um fortificado ao estilo dos vinhos do Porto.
São 50.000 ha plantados naquele país. A segunda maior área está no vizinho Chile, com 6.000 ha, seguidos de França, África do Sul, Nova Zelândia e Califórnia.
Só nos resta convidar todos os leitores para, no dia 17/04, degustar um belo Malbec.
Saúde!
Dica da Sandra Cordeiro: Proyecto Circulares Malbec do Deserto.
Como estamos em pleno outono, embora ainda eu não tenha visto a mudança que gostaria na temperatura, gosto de dias mais fresquinhos, vou indicar um bom vinho para esta estação, vamos de Proyecto Circulares Malbec do Deserto.
Proyetos Ciculares porque não há nada estático, a vida é ativa e aleatória. A força criativa constante que permite se alcançar um objetivo. Quando há um projeto há vida.
“Vibração, pele, entusiasmo, ideias, inspiração, encontro. Um projeto. Muitos encontros. Tudo girando em torno de um mesmo eixo: o vinho.”
Mendoza é um oásis no deserto, e o enólogo Germán Massera, viticultor de grande prestígio na Argentina, proprietário da Vinícola Escala Humana como projeto pessoal, e do encontro com amigos decidiu lançar o Proyetos Circulares. Escolheu pequenos lugares no Vale do Uco onde o deserto é mais agreste, e a vinha cresce e frutifica com o mínimo disponível, como faz a flora rústica e nativa deste vale. Com solos arenosos que drenam a água muito rapidamente, a irrigação é indispensável, os solos são enriquecidos pelos componentes que os rios e os ventos trazem das altas montanhas.

Malbec Del Deserto
100% Malbec.
Vinhedos de Vista Flores, Tunuyán.
Teor alcoólico 13,5%
Fermentação em tanques de concreto com leveduras nativas.
Pisa suave e remontagem delicada durante a fermentação.
Envelhecido por 6 meses em tanques de concreto, mais 12 meses em garrafa.
Tiragem: 1.152 garrafas em 2024.
Vinho vermelho rubi médio, aromático a frutos negros e vermelhos como ameixa e framboesa, um sutil aroma floral de violeta, muito elegante.
Na boca mostra corpo médio, muito equilíbrio, taninos macios e aveludados, persistente e muito saboroso. Elaborado com mínima intervenção, só utiliza leveduras nativas, baixa extração, sempre focando no máximo respeito pelo ambiente e pelas pessoas nele inseridas.
É um Malbec de estilo moderno com foco na fruta, menos extraído, frescor agradável e pronto para beber.
Combina muito bem com carnes vermelhas, aves assadas, massas com molhos vermelhos em geral, ou simplesmente com uma boa conversa com um bom amigo.
Bora provar?
Ele custa R$ 172,00 na OCAM Vinhos
Frete grátis a partir de R$ 300,00.
CRÉDITOS: Foto obtida no gerador de imagens do ChatGPt

