23 de maio de 2022
Sylvia Belinky

Viajando de férias na maionese


Mais uma semana “de férias” – e não estamos todos compulsoriamente de férias com esse país em frangalhos que nos sobrou de 16 anos de desmandos perpetrados pelos “cumpanheiros”?
Expulsos do poder,  foram substituídos por esse arremedo de presidente que parece estar brincando de “presidir”, impingindo, a quem nele votou, toda sorte de aventureiros conhecidos e desconhecidos, mas que, de algum jeito, caíram no gosto da plêiade presidencial…
Sim, porque quem votou no presidente Bolsonaro, aparentemente também votou na família presidencial, imiscuída até o último fio de cabelo em todos os atos e desacatos de nosso  desgraçadamente presidente.
Às vezes, paro e penso na tragédia de nossos hermanos, que já estiveram entre as 7 nações mais poderosas do mundo e era destino dos europeus nos idos de 1900, e que agora amargam uma vida de cão, miséria e FMI… Onde foi parar a nação admirada e produtora do melhor trigo, do melhor gado?
Os argentinos também votam como nós, e a seleção de nomes de candidatos que surge também não ajuda.
A verdade é que consertar um país caótico depois de desmandos e ladroeira infindáveis, requer austeridade e medidas impopulares. E a população, insuflada por arrivistas, vota como se vai ao banheiro: com diarreia mental. O resultado está aí, para quem quiser ver.
Desde que escolheu como nosso chanceler a figura de Ernesto Araújo, cujas maiores virtudes são, sem sombra de dúvida, ser, em primeiríssimo lugar, “terrivelmente evangélico”  e, em segundo, falar grego e tupi-guarani  podemos esperar mais surpresas como as duas que nos preparou para a pasta da Cultura: o colombiano e agora o economista, duas cavalgaduras – latu sensu – com quem nosso imperador (provavelmente) discute que,  para o nosso povo,  ler e escrever  já é suficiente. Por que seria necessário mais do que isso?
Mas, é sempre necessário mais: o presidente Bolsonaro parece acreditar que foi eleito imperador e cria benesses para a família imperial, como o cargo de embaixador, para o poço de cultura e virtudes que é seu filho: nosso novo embaixador em Washington, o que frita hambúrgueres como ninguém!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.