A Vale que se reinventa


Há algum tempo, a Vale do Rio Doce veicula belíssimos comerciais se “reapresentando” ao público como uma empresa que se “reinventa”, se “redescobre”. Mas, o desastre perpetrado por ela e suas sócias, a SAMARCO e a BHP Billinton em Mariana, que causou enorme comoção na sociedade e no mundo, permanece impune!
Dentro de nossas casas, confortavelmente instalados, tudo o que vemos é a Vale gastar rios de dinheiro para nos convencer de que estão se reinventando, cuidando da nossa saúde e do meio ambiente, esquecendo que as vítimas do rompimento da barragem estão lutando na Justiça para receber a indenização que lhes é devida!
Mas, vítimas, não foram só os que estavam próximos, pois vítima mesmo foi toda a Humanidade…
Conforme escreveu Edison Brito, em seu blog: “Mataram um rio e milhares de nascentes! Exterminaram espécies de peixes. Destruíram todo o ecossistema do Vale do Rio Doce. Os ribeirinhos, os habitantes de vilarejos, perderam seu sustento, seu chão e suas referências. É um dano irreparável…
… tem de haver punição, óbvio. Prisão, multas e dinheiro, muito dinheiro. Um bilhão é pouco: oitenta bilhões, pode ser? É necessário amenizar o impacto da devastação. Mas, eu pergunto: quanto vale um rio, quanto vale a vida? Para alguns políticos vale pouco ou nada. ”
A destruição ecológica em novembro de 2015, pela SAMARCO/VALE/BHP Billinthon, em Mariana, um desastre ecológico sem precedentes, que se estendeu por mais de setecentos quilômetros, até hoje não ressarciu todos aqueles que perderam tudo: entes queridos, casa, cidade, meio de subsistência!
A lama de rejeitos comprometeu também a água dos rios e as áreas de solo fértil por onde passou. Ainda não há laudos claros e definitivos – e lá se vão três anos – em relação à qualidade da água e a fertilidade dos solos, bem como os prováveis danos do contato humano e dos animais com os rejeitos de minérios.
Segundo a “Rede Justiça nos Trilhos”, “O Brasil inteiro se percebeu como um país minerador e descobriu que seu modelo de mineração mata”. Mata pessoas, animais, destrói todo um ecossistema que levou milhares de anos para se instalar!
É preciso formar redes de solidariedade e de aprendizado: a sociedade brasileira tem que se mobilizar em prol de todos os diretamente prejudicados e não deixar que tamanha desgraça caia no esquecimento: foi um ato de lesa humanidade esse da Vale ‘que se reinventa”!
Fonte: o início desta crônica se baseou em informações do livro “Desastre no Vale do Rio Doce – Antecedentes, impactos e ações sobre a destruição” Organizadores Bruno Milanez e Cristiana Losekann

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