Responsabilidades e o fundo do poço


E eis que, numa de minhas garimpagens na Internet, surge o texto de um rapaz, filho de uma pessoa conhecida, contando que estava em Miami havia dois anos – tinha saído do Rio de Janeiro com mulher e dois filhos – e também eles tiveram que sair de sua casa.
Em seguida, ele faz diversos paralelos entre as atitudes das pessoas, das empresas, das autoridades locais.
Comecemos pelas autoridades que, na TV, avisavam que, se você tivesse qualquer problema com relação a sair de sua casa, ligasse para um número que aparecia na tela e você seria resgatado imediatamente.
E ele se lembrou das pessoas em Teresópolis, que sofreram com as chuvas em 2011, perderam tudo e que, até hoje, nada receberam: Sergio Cabral et caterva roubaram a grana que era para ajudá-las na reconstrução de suas casas, de suas vidas…
Em seguida, ele cita todas as empresas de telefonia que franquearam indistintamente o wi-fi para comunicação de todos; os hotéis que estão recebendo um número maior de pessoas em um só quarto, cortaram os preços e estão aceitando pets, coisas que não faziam…
Temos certeza de que aqui não ocorreria qualquer uma dessas atitudes porque a famosa Lei de Gerson – levar vantagem em tudo – iria pautar as atitudes em geral.
Por outro lado, nós, brasileiros, faríamos o que pudéssemos para ajudar quem precisasse, receberíamos alguém desconhecido em casa se fosse necessário, compartilharíamos nossa comida, daríamos a mão a um vizinho, ajudaríamos em um resgate se tivéssemos a oportunidade.
Em uma palestra feita por uma psicóloga, ela menciona Benjamin Disraeli, político conservador britânico nascido em 1804, que dizia que, na sociedade, só teremos chance “se os homens de bem tiverem a mesma coragem dos corruptos”.
E ela menciona que uma criança de 7, 8 anos na favela, que se torna “aviãozinho” ou entregador de drogas, é imbuída de responsabilidade e sente que tem um “trabalho” e uma “obrigação” a cumprir, levando essa missão a sério. Fica claro que isso é horrível, mas não há dúvida de que essa responsabilidade vai prepará-lo para enfrentar dificuldades na vida.
Da mesma forma, não dando responsabilidades aos nossos filhos, protegendo-os de qualquer decepção ou castigo, fazemos com que suas vidas sejam pautadas pela “lei do menor esforço”. A geração “nem-nem” advém desse paradigma: nós lhes damos a certeza de que iremos, pela vida toda, “resolver” todos os seus problemas – e pessoas assim, certamente, não vão lutar para mudar o país.
É muito difícil pensar na injustiça de todas essas situações, olhar os 51 milhões de um dos fiéis escudeiros do nosso presidente da república e acreditar que não vai existir algum castigo, que se fazerem de cegos e colaborarem para a tragédia do país não vá levar a qualquer consequência …

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