Redescoberto” o know-how da Vale


E quando não é um fato auspicioso, mas triste, imensamente triste que se abate sobre pessoas inocentes? E isso, no mesmo dia 25/01, dia do aniversário de nossa cidade? Onde encontrar inspiração para minimamente descrever a desgraça inenarrável de pessoas que, tendo sorte de estar vivas, têm suas vidas destruídas, seus meios de subsistência eliminados, perdendo entes queridos e animais, suas casas, seus documentos?
É isso, minha gente, vocês percebem que um espaço de três anos é nada para se repetir algo tão desastroso?
E a responsável pela primeira desgraça de proporções gigantescas é a Samarco, empresa em que, uma das duas sócias é Vale do Rio Doce; a mesma Vale do Rio Doce que veicula atualmente, propagandas belíssimas nos meios de comunicação, se dizendo “redescobridora”…
Ela e o poder público falam em bilhões em indenização, mas seguem discutindo como calcular a parte que cabe a cada uma das pessoas que essa irresponsabilidade transformou em miseráveis… E, nesse meio tempo, ninguém recebe nenhum tostão!
Por que não “adiantar” também para as vítimas de Mariana, um mínimo de 100mil reais e depois chamá-las novamente para receber o que ainda tiverem direito?
Mas, esse cálculo é algo difícil, leva tempo: será que quem perdeu uma casa e um ente querido tem que receber menos do que quem perdeu uma casa, um carro, e dois entes queridos? E quem perdeu um pai, uma mãe, recebe mais do que quem perdeu um irmão ou um tio?
Há exatos três anos e dois meses, o Estado de Minas Gerais recebeu uma quantidade inenarrável de rejeitos de processos de mineração, num trabalho de destruição que se assemelha ao de uma bomba como a de Hiroshima, visto que também ela nos mostrará, ao longo das próximas gerações, um sem número de consequências funestas…
Os advogados dessa empresa que se locupleta da riqueza do Estado de Minas Gerais e os “técnicos em catástrofes” discutem o quanto pagar e, enquanto isso, deixam as pessoas às voltas com a própria desgraça, sem nada lhes pagar, sem as assistir de nenhum modo tratando-as também como “rejeitos”!
Aparentemente agora, a Vale adquiriu know-how de destruição: nesta sua segunda investida, até o momento, matou 110 pessoas: seria a Vale a redescobridora de um meio rápido de mudar o cenário do nosso país, matando mais pessoas e repetindo a mesma manta de rejeitos?

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