26 de fevereiro de 2024
Sylvia Belinky

O novo Título de Eleitor


Pesquisa feita por um Instituto de grande credibilidade no país, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, entre jovens de 14 a 24 anos, constatou que 56% deles acredita que, não importa o que seja feito, a sociedade sempre será antiética. Outros 40% consideravam que ela é pouco ética!
Tendo a acreditar nessa premissa. São incontáveis as descobertas de pessoas querendo – e dando – um golpe nas outras ao seu redor. A imaginação nesses casos parece ilimitada e, no mais das vezes, visa roubar pequenas quantias – que vão se convertendo em grandes com o tempo.
Fui renovar meu título de eleitor e foi impressionante quantos cuidados todos tiveram para se certificar de que eu fosse eu de fato, de que não houvesse nenhum errinho em quaisquer dos nomes: meu, de minha mãe e de meu pai, e de que todos os dedos de ambas as mãos estivessem devidamente registrados sem imperfeições. E, tudo isso, para garantir que nós, cidadãos, nos vejamos na inescapável situação de… sermos honestos!
Comentei com a pessoa que me identificava que eu ainda acho estranho que mais nenhum país no mundo faça uso da urna eletrônica, algo tão moderno e aparentemente inviolável… A pessoa evitou fazer comentário a respeito por ser funcionária pública – e ter japoneses como descendentes, gente usualmente honesta e séria.
Antes disso, o funcionário que me encaminhou, ao ler meu nome escrito de forma diferente em dois documentos, na minha carteira de motorista e no meu título de eleitor antigo, queria que eu fosse em casa buscar uma certidão de nascimento na qual meu nome estivesse escrito corretamente… Declinei da “generosidade” e disse que preferia que ficasse como estava: errado.
A criatura ainda voltou à carga, dizendo que várias pessoas tinham tido problema com a Receita Federal que cruzou os dados e o nome não conferia… Garanti a ele de que iria correr o risco ainda assim.
E pensei em contar a ele que, para corrigir um erro do cartório quanto ao local de nascimento de minha mãe, quando íamos renovar sua carteira de identidade – ela nasceu em Berlim, na Alemanha, e nesse documento estava escrito que ela nascera em Belém, no Pará – levei mais de dois anos tentando fazê-lo e só o fiz, nomeando – e pagando – um advogado!

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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