16 de fevereiro de 2026
Sylvia Belinky

Etarismo, “gordurismo” ou “magrismo?

Certa feita – isso sim é um começo d’antanho – minha ginecologista, uma amiga que também costumava atender na periferia, trabalhando para a prefeitura, me disse, diante de uma de minhas queixas:

Sabe que essas mulheres da periferia são muito mais bem resolvidas do que as mulheres ricas que eu atendo? Elas trabalham duro durante o dia todo e, quando chegam em casa, colocam tudo em ordem e querem encontrar um marido disposto a fazer amor.

Não se torturam por uns quilos a mais, celulite, peitos caídos, mas querem aproveitar o relacionamento tanto quanto eles.
Fiquei pasma com essa assertiva, porque esses “detalhes” da aparência pessoal sempre foram um óbice para mim. Entretanto, a colocação de minha amiga médica me pareceu extremamente válida…

Há alguns anos, lembro de ter lido que, no Rio de Janeiro, uma atriz de novelas que sempre foi magra foi achincalhada por estar velha e ter “ousado” ir à praia de Copacabana, de biquini!

Fotografada por aqueles que reconheceram nela a atriz, não foi “perdoada” por mostrar as rugas e a flacidez natural de quem já estava próxima dos 80 anos…

Como minha preocupação sempre foi com os quilos a mais e nunca com a magreza, fiquei “passada” com aquelas críticas, já que, para mim, o excesso de gordura é muito mais… “chamativo”, se podemos dizer assim, do que o contrário, ainda que, tanto uma coisa como a outra deveriam ser um assunto exclusivamente da própria pessoa – não me parece que é dado à mídia ou à vizinhança execrar alguém por não ser mais jovem!

Você pode fazer regime para tentar caber nos seus sonhos e sua aparência externa não será, de forma alguma, piorada por você não ser uma pessoa ética ou por não ter caráter, já que essas duas qualidades independem de regime para se manifestar… Digamos que esse fato deveria ser visto com um certo alívio!

Pessoalmente, acho que as pessoas muito bonitas quando jovens sofrem mais com cobranças (dos outros e próprias) quando envelhecem, dado que a aparência é algo efêmero. Não lhes ocorre que estar velho apenas demonstra que sua vida foi longa!
Poder não seguir padrões, sejam eles estéticos ou de comportamento, representa, ao menos para mim, o máximo da felicidade!

Ter a liberdade de ser quem sou sem ter que “representar” nenhum papel para agradar quem quer que seja é, na verdade, estar livre de fato – sem sombra de dúvida, um prêmio!

Acho que a liberdade que se tem hoje de regular a vida alheia através das “redes sociais” é o impensável: se ninguém paga as suas contas, com que direito se sentem à vontade para determinar que roupa você deve usar, como deve se portar, onde deve ou não ir…

As pessoas estão completamente sem noção do que lhes diz ou não respeito e ver como se vestem e comportam, nos dá a exata sensação do famoso ditado: “Faça o que eu digo e não o que eu faço”…

E é certo que a grande maioria se olha no espelho (supondo-se que têm um em casa) e não têm a menor dúvida: “Estou linda!… Fui!!”

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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