
Sempre tive Denise Fraga na conta de uma excelente atriz e muito inteligente. Mas, a última entrevista dela, que assisti, falando de uma peça – um monólogo – em que ela aborda a morte de sua própria mãe, pareceu-me carregada de sentimentos que eu não reconheço.
Evidentemente, ela não precisa do meu endosso. Mas, para mim, questionar se tenho ou não arrependimentos é totalmente inútil. Parto do pressuposto que sempre fiz o melhor que pude e que, se não foi bom ou perfeito, usei todos os recursos que estavam a minha disposição à época. Portanto: arrependimento zero.
Em sua conversa com a mãe em seu leito de morte, ela pergunta se esta gostaria de ter feito diferente alguma coisa. Se me perguntassem isto, minha resposta seria que só se eu dispusesse, na época, das informações que tenho hoje.
Outra pergunta que ela faz: você gostaria de reviver alguma passagem? Minha resposta seria não, pois hoje sou outra pessoa e meus sentimentos também são outros.
Perguntou também: gostaria de “trazer do lado de lá alguém que já se foi?” Novamente, a resposta é não; já sofri sua perda, sinto sua falta e, novamente, hoje sou outra pessoa.
Como sabiamente pontua meu marido: “Não esqueço nada de bom que me fizeram, tampouco nada de ruim. Eu não tenho vontade de reviver nada disso, dado que o bom momento virá acompanhado do mal”.
Berta Loran, que faleceu na semana passada, e era um raio de sol ambulante, disse, gracejando, mas com imensa propriedade: “Você pode até ter perdido um grande amor. Daqui há trinta anos, quando voltar a encontrá-lo, vai dar graças a Deus de tê-lo perdido”.
Tenho pensado que posso morrer relativamente logo – tenho 77 anos e boa saúde, mas nunca se sabe – e a “zona” de papéis e guardados que tenho em casa pode enlouquecer meu filho… Generoso, ele parte do pressuposto de que sou muito consequente e, talvez por isso, cada papel meio “estranho” guardado por mim tenha algum significado; até pode ser, mas esse ponto de vista não será salutar depois que eu já não estiver por aqui.
Tive uma fase na vida, em que tentei explicar o imponderável não com religião – quem me conhece sabe que não tenho o menor “apreço” (estou sendo gentil e educada) por nenhuma delas, mas através da astrologia – pelo menos, consigo ver o céu, as estrelas, alguns planetas, me pareceu mais…”crível”!
E lá fui eu em busca de todos que tivessem feito um mapa astral, “lido a sorte” com cartas de tarot (ou dessas de pôquer mesmo), que tivesse ido num grafólogo ou mesmo feito a leitura das mãos – fiz das minhas em… Las Vegas, já pensou?! E, como nada disso foi grátis, guardei tudo isso para ver se “estavam certos os vaticínios”!
Hoje, sem mais aquela, me deparo com um sem número deles, razão de ter começado essa crônica falando da peça de Denise Fraga.
Na verdade, não sabemos nada a respeito do que nos reserva o futuro; a preocupação com ele ou a elocubração com coisas do tipo “e se?” não nos traz nada de positivo. Ou por outra, só nos trazem angústia, a de ver que não dominamos absolutamente nada do que virá; e, estranho que pareça, até o que estaria nas nossas mãos estamos “providenciando” para que delas seja tirado, com a IA.
Não tem dúvida de que os seres humanos são um bocado estranhos!
Saber que a IA “decide” coisas por mim (todas elas: o que vou gostar, o que não vou, o que quero ver, de quem vou gostar das declarações dadas, etc.) não me agrada, pois entendo que seja demasiada pretensão – ainda que seus “métodos” sejam bastante “heterodoxos” e, portanto, discutíveis.
Li que ela se baseia no tempo que levo vendo um ou outro vídeo, se passo rápido ou devagar por eles, em quais assuntos me demoro mais. Como método, parece-me furado: às vezes a “chamada” é tão absurda que quero ver até aonde vai o ser sem noção… o que, absolutamente, não quer dizer que gosto ou aprovo destemperos ou loucuras.
Se sei agir em determinadas circunstâncias não significa que isto sirva também para os outros – não tenho a menor pretensão de ser a “palmatória” do mundo!
Se você é um “influencer”, olhe-se no espelho e seja honesto: você, de fato, acha que fez por merecer esses seguidores ou será que eles… só estão tão perdidos quanto você?!

