2 de julho de 2022
Sylvia Belinky

Corruptos (descarados) não!!!


Eu nunca tinha vivido um ambiente tão tumultuado relacionado a uma eleição como o deste ano. Claro que não estou me referindo às manifestações pelas Diretas já, movimento que engajou o povo todo em uma mesma aspiração, algo grandioso e ímpar.
Mas, hoje, todas as pessoas com os nervos à flor da pele estão dispostas a bater e apanhar por suas convicções.
Sempre nos falaram da validade e importância de votarmos, de que só o povo pode tirar políticos corruptos, defenestrá-los e trocar por novos.
Na semana passada, depois de viver a realidade do adeus a corruptos convictos, à recusa de votar novamente na Dilma para senadora, de ver a família Sarney finalmente alijada de seu feudo particular, o Maranhão – parece que os brasileiros acordaram para o mote, que até hoje, parecia conto da carochinha: “O povo, unido, jamais será vencido”.
Os ânimos à flor da pele têm levado muitos a brigar por suas convicções – ainda que seja com membros da própria família – e isso poderá render mal-estar nas festas de fim de ano…
Claro está que teremos outras oportunidades de fazer valer nossa vontade: as novas gerações também estão se posicionando, e isso certamente é resultado de algo que, antigamente, era comprado a peso de ouro – hoje, é mais barato, troca-se um voto por uma cesta básica…
Eu gostaria de ter certeza do que estou colocando aqui, isto é, de que todos estão descobrindo a própria força. Gritar o nome de seu candidato a plenos pulmões, sem ter sido conchavado ou pago para isso, é algo que eu não imaginava que pudesse ocorrer de forma tão rápida e visceral.
Ainda que, do meu ponto de vista, nenhum político mereça tanta credibilidade, talvez o amadurecimento das novas gerações seja capaz de nos ajudar com boas leis e bons programas de gestão.
Descobrir através de uma militância voluntária que seu voto é tão válido como o de qualquer um e que ele opera mudanças vitais, será uma lição que deverá nos poupar de uns 5 a 10 anos de dor e decepção.

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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