
Tenho novos vizinhos e, tendo entrado em contato com eles por acaso, vim a saber que eram recém-chegados de Portugal, para onde foram com intenção de mudança permanente, sendo ela filha de pai e mãe portugueses. Como o marido não tivesse encontrado colocação por lá, acabaram por voltar para cá.
Mesmo eu sendo filha de estrangeiros, jamais pensei em deixar o Brasil; mas, entendo perfeitamente quem tenha em mente essa mudança. Afinal é do gênero humano achar que a grama do vizinho é mais verde! E tenho vários amigos que alentaram e ainda alentam esse sonho.
Mas, voltando à minha nova vizinha, eis que ela comenta comigo, radiante, que, ao descer do avião, sentiu até um arrepio de felicidade: “Puxa, aqui todos me cumprimentam, bom dia, boa noite… Lá estavam sempre sisudos! Você se aproxima de um guichê e a criatura te encara, séria, sem nem mesmo um “Bom dia!”’
Acostumada que estou de falar e cumprimentar a todos – ontem mesmo, ao tentar levar meu carrinho de compras até o auto de aplicativo, uma das caixas sobre ele caiu e me apressei a pegar, já que o motorista era uma moça. Imediatamente, cinco pessoas, surgidas de todos os cantos, se dispuseram a me ajudar, inclusive a motorista, todos sorrindo, brincando, com a maior boa vontade.
Diante dessa “receptividade”, não pude deixar de pensar no que me contou a minha vizinha, pessoa simpática e agradável, quando comentei que eu tinha ouvido que os portugueses não gostavam dos brasileiros, ao que ela me respondeu: “Volta pra tua terra!” eu ouvi.
Fiquei imaginando a mim na situação em que me encontrava, onde um bando de estranhos veio me ajudar, sorrindo e brincando e a ideia me desconcertou…
Viajei várias vezes para fora do país e devo dizer que, de fato, há muitos brasileiros folgados que falam e riem muito alto, chamando a atenção para sua falta de modos e, por vezes, evitei abrir a boca de pura VA – Vergonha Alheia, para não ser confundida com gente tão grosseira e sem noção!
Tenho uma amiga chilena que, depois de viver aqui por 20 anos, resolveu “voltar para casa”, onde ainda tinha parentes e que, lá chegando, não foi mais aceita como chilena legítima por seu sotaque ao falar espanhol… Já outra, brasileira casada com um americano, também “recebe convites” para voltar para cá… não obstante seu inglês, perfeito!
Minha vizinha me contou também de seu “imenso alívio” ao dar de cara com nossa receptividade… Palavras dela: “Fiquei até arrepiada por ter voltado, esta sim “é a minha terra”…
Isso, absolutamente, não quer dizer que somos perfeitos; longe disso. Mas, não tem dúvida que a cordialidade e o sorriso que encontramos na padaria, no açougue, quando vamos sentar ao lado de alguém no ônibus, é “produto nacional”…
Imagine alguém dizer aqui em São Paulo muito especialmente, (cidade que acolhe gente de toda parte em busca de oportunidades – sou paulista e paulistana) alguém dizer: “Volta pra tua terra”…

