A civilização e o politicamente correto


Ontem, ouvi uma notícia que dava conta de que, no Japão, os usuários do metrô ouviram um consternado pedido de desculpas pelo alto-falante, porque o trem se adiantou 20 segundos. Motivo de riso pelos cidadãos comuns aqui do Brasil, acostumados a não ter metrô – realidade da maioria das cidades do país – e, os que dele fazem uso, esperarem em pé, dentro de vagões parados, de portas fechadas, como aconteceu ontem por 10 minutos na linha verde, sem receber, sequer, uma satisfação do por quê do atraso.
O ministro da Defesa da Inglaterra pediu demissão por ter sido acusado de passar a mão no joelho de uma jornalista (na verdade, de diversas outras mulheres, jornalistas ou não) e descobriu-se que essa atitude era corriqueira em sua vida, o que certamente não condizia com os padrões ingleses de comportamento para um Ministro e, em especial, da defesa.
Os dois casos demonstram bem a distância existente entre nós e os países tidos como civilizados.
Ao mesmo tempo, estamos nos sentindo “modernos” e “antenados” com as tendências mundiais ao determinarmos o rigor do “politicamente correto” e ao já discutirmos uma legislação que normatize as relações poli afetivas – quando sabemos que a regularização das uniões entre homossexuais foi recém implantada, tem menos de 10 anos e ainda enfrenta a resistência de  vários cartórios.
Num país onde nem sequer a mediação existia oficialmente há poucos anos e onde o tratamento da mulher em grande medida ainda é medieval, tornarmos obrigatório chamar alguém que é cego de “deficiente visual”, que é surdo de “deficiente auditivo”, um negro de “afro-americano”– porque descobrimos que chamá-los pelo que de fato são, tornou-se ofensivo e digno de censura!
E hoje, ouvi que Sergio Cabral, preso há um ano, do presídio continua dando as cartas na política do Rio de Janeiro, tendo recebido Arthur Nuzman na prisão, liderando uma salva de palmas para este que se revelou mais um assaltante do erário do Rio de Janeiro. E hoje assistiremos a libertação de Picciani, chefe da quadrilha da Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro há mais de uma década bem como a de sua prole, sem que se possa impedir que isso aconteça.
Ao juntarmos esses fatos todos num balaio, fica claro que continuamos bem mais perto da barbárie e dos maus costumes do que da civilização. E que a tentativa de nos “educar e modernizar” através do “politicamente correto” não é nada mais do que hipocrisia e cortina de fumaça para que se continue a manter o “feudo” como se encontra…

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