16 de fevereiro de 2026
Sylvia Belinky

A galinha dos ovos de ouro

Dias atrás, eu ia escrever a respeito de um fato que reputo como sendo “pouco elogiável” em relação a sentimentos despertados em mim e que identifico como sendo de inveja; mas, não aquela inveja que, até certo ponto, é desculpável, como olhar para alguém mais bonito ou mais bem sucedido do que a gente e “tentar parecer” generoso, dizendo de si para si mesmo: “Ela é elegante, mas faz regime e pode usar todas as roupas que tudo fica bem; tem mesmo um corpo privilegiado” – mas, a raiva interna se manifesta quando conhecemos bem a criatura e sabemos que se trata de um avestruz – pode comer até explodir que não engorda, está sempre linda.

No caso aqui, trata-se do que eu chamo de “mudança mundial de parâmetros”: uma educação primorosa, em que se gastou o que não se tinha e que representou um tremendo sacrifício, achando que estávamos dando munição para que qualquer desafio pudesse ser encarado, de acordo com o antigo adágio: “o saber e a cultura não ocupam espaço; o que estiver dentro da sua cabeça ninguém tasca, não se perde nem é roubado” e eis que ficamos sabendo de um vizinho que ganha rios de dinheiro apenas “bolando” vídeos que requerem determinado número de “likes” patrocinados…

Não tem dúvida: o mundo mudou muito e hoje o grande consumo é de coisas rasas, sem qualquer utilidade a não ser fazer rir com idiotices. E esses manés descobriram uma mina que acabou por chegar até mim por acaso absoluto: alguém conhecido seguia as historinhas chinfrins veiculadas e mandou-me uma delas. Engraçado? Depende de você e de seu senso de humor, daquilo que você busca “seguir”; para ser honesta, eu e minha “planilha” de interesses jamais teríamos chegado lá…

Sou de um tempo em que deixar as unhas compridas ou os cabelos, dependia de paciência; os cabelos, de deixar crescer e as unhas, usualmente, de deixar de roer. Tanto uma coisa quanto outra eram complicadas de se conseguir, até porque deixar os cabelos crescerem significava esperar todo um período em que não dava para “fazer nada com ele”, pois não tinha crescido o suficiente para fazer um penteado incrível, nem para prender um simples rabo de cavalo…

Quanto às unhas, não vou me estender muito, dado que só pode avaliar o sacrifício quem levava a mão à boca como quem fumava e não conseguia parar, sem nem mesmo pensar no que estava fazendo…

Voltando à vaca fria, apelidei a criatura de “A Galinha dos Ovos de Ouro”, uma pessoa simples e gentil, com uma voz fanhosa e desagradável, uma figurinha diminuta a quem ensinam uma série de palhaçadas “politicamente incorretas” – das quais se ri exatamente por isso – assim como alguém que inventa que usar calças rasgadas é lindo e que um buraco feito por uma “influencer” é muito diferente e melhor do que aquele que você conseguiu num tombo – e numa perna só da calça – a que custa uma fortuna tem pelo menos CINCO furos, um mais bonito do que o outro!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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