O Poder e a Vida

Presidente Michel Temer em cerimônia no Palácio do Planalto nesta quinta-feira, 26/10/2017
(Foto: Marcos Corrêa / PR)

Por delicadeza, perdi a minha vida, cantou o poeta francês Arthur Rimbaud em verso famoso.
Pelo poder, muitos políticos perderam a vida. Entre nós, o mais famoso, mas não o único, foi Tancredo Neves.
Mineiro de São João Del Rey, Tancredo esteve no centro dos acontecimentos políticos de maior magnitude da história do Brasil desde a morte de da morte de Getúlio Vargas em 1954.
Por mais de um ano, enquanto consolidava sua candidatura à sucessão do último dos generais da ditadura militar de 64, escondeu a doença que o mataria.
Foi eleito em janeiro de 1985, internado na véspera de tomar posse em março e passou por sete cirurgias. Seu corpo sem vida subiu a rampa do Palácio do Planalto no dia 22 de abril.
O presidente Michel Temer carrega uma sonda amarrada à sua perna direita desde que foi vítima na última quarta-feira de um problema urológico que o fez sangrar.
Não deveria ter saído desde logo do Hospital do Exército onda foi internado. Saiu caminhando como se estivesse “inteiro”.
Deveria ter repousado no dia seguinte, mas fez questão de dar expediente normal no Palácio do Planalto como se “inteiro” estivesse.
Para gravar um vídeo, ficou de pé e tentou disfarçar o incômodo de se apoiar na perna direita.
Voará a São Paulo para exames no Hospital Sírio Libanês. Ali é esperado desde a quinta-feira.
Há mais de um mês que os médicos constataram que ele tem uma artéria do coração parcialmente obstruída. É candidato a um exame de cateterismo. Preferiu deixar para mais tarde.
Pelo poder, mas também por vaidade, arrisca a vida.

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