
“Mateus 20:16 (Mateus 20:16 NVT): “Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”.
Depois de tantas perseguições, injustiças e desassossego, por parte de um sistema perverso, enfim o olhar para um futuro de
esperança
Olá, caríssimos leitores!
Ao longo dos meus 65 anos de vida, completos em maio deste ano, aprendi muitas lições. Algumas vieram dos livros, outras da sala de aula, da profissão, das relações humanas, das alegrias e, principalmente, das adversidades que a própria vida se encarrega de nos apresentar.
Entre tantas lições, uma delas ficou muito clara para mim: na vida, o jogo vira a cada ciclo. Hoje se perde, amanhã se ganha. Hoje se é humilhado, amanhã se é exaltado. Hoje podemos estar no chão, enfrentando uma tempestade, e amanhã podemos estar novamente de pé, olhando para trás e percebendo que aquela queda não era o fim da caminhada, mas apenas o início de um novo capítulo.
Aprendi também que a vida não é uma linha reta.
Ela tem altos e baixos, vitórias e derrotas, encontros e desencontros, aplausos e críticas. Há momentos em que somos celebrados e outros em que somos incompreendidos. Há portas que se fecham e outras que se abrem quando menos esperamos.
E talvez seja justamente por isso que uma das figuras mais conhecidas da mitologia tenha tanto significado para mim neste
momento: a Fênix. O significado do “renascimento da Fênix” está justamente na capacidade de superar completamente um momento muito difícil e recomeçar mais forte depois de uma grande queda ou perda.
A Fênix não representa simplesmente alguém que caiu. Representa aquele que caiu, enfrentou o fogo, foi reduzido às cinzas e, mesmo assim, encontrou forças para renascer.
E é exatamente essa imagem que me vem à mente quando observo a trajetória política recente da família Bolsonaro.
Quando todos pensam que é o fim…
Na política, assim como na vida, muitos se apressam em decretar a morte de determinados projetos.
Quando um político perde uma eleição, muitos já anunciam seu fim. Quando um grupo enfrenta uma crise, seus adversários comemoram antecipadamente. Quando uma liderança passa por um período de dificuldades, surgem aqueles que acreditam que ela jamais voltará a ocupar o espaço que um dia conquistou.
Mas quem viveu 65 anos sabe que não se deve confundir uma queda com o fim da caminhada. A história está cheia de exemplos de pessoas, empresas, famílias e movimentos que pareciam derrotados e que, algum tempo depois, voltaram ainda mais fortes.
Depois de tantas perseguições, injustiças e desassossego, enfim um olhar para um futuro de esperança.
É preciso ter cuidado com os julgamentos definitivos. Na política, especialmente, o eleitor é quem escreve o último
capítulo.
A família Bolsonaro e as cinzas
Nos últimos anos, a família Bolsonaro enfrentou um dos períodos mais turbulentos de sua trajetória política. Jair Bolsonaro deixou a Presidência da República, passou a enfrentar uma série de questionamentos políticos e jurídicos e viu seu grupo
político ser submetido a uma enorme pressão.
Muitos chegaram a imaginar que aquele seria o fim. Mas o que aconteceu? O sobrenome Bolsonaro continuou presente. Seus filhos permaneceram na política. Novas lideranças surgiram. O eleitorado identificado com o conservadorismo continuou mobilizado.
E chegamos a 2026 novamente diante de uma realidade que merece ser analisada com serenidade: o bolsonarismo não desapareceu.
Pode-se gostar ou não de Jair Bolsonaro. Pode-se concordar ou discordar de suas posições. Pode-se ser de direita, de esquerda, de centro ou simplesmente não se identificar com nenhuma corrente ideológica. Tudo isso faz parte da democracia. O que não podemos fazer é ignorar a realidade de milhões de brasileiros que continuam se identificando com esse projeto político.
Não se pode subestimar o eleitor
Talvez uma das maiores lições que a política brasileira esteja nos ensinando seja justamente esta: não se deve subestimar o eleitor. O cidadão brasileiro tem consciência para escolher. Ele pode mudar de opinião. Pode trocar de candidato. Pode
abandonar um partido. Pode retornar ao candidato que havia rejeitado.
E pode, principalmente, surpreender aqueles que acreditam conhecer antecipadamente o resultado das urnas. Por isso, considero perigoso transformar adversários políticos em inimigos a serem eliminados.
A democracia não exige que gostemos uns dos outros. Ela exige que saibamos conviver com as diferenças. Como alguém que passou décadas em sala de aula, aprendi que o conhecimento também nasce do contraditório. O professor não pode ensinar apenas aquilo que o aluno já pensa. É preciso apresentar argumentos, ouvir, questionar e permitir que cada pessoa construa
sua própria compreensão.
Na política deveria ser assim também.
O sobrenome que virou movimento
A família Bolsonaro conseguiu algo que poucos grupos políticos conseguem: transformar um sobrenome em uma identidade política reconhecida nacionalmente. Bolsonaro passou a representar, para seus apoiadores, uma visão de Brasil associada ao conservadorismo, à família, à liberdade, à segurança pública e à resistência ao avanço da esquerda.
Para seus críticos, representa exatamente o contrário. E essa divisão revela justamente a dimensão do fenômeno. Quando um nome consegue provocar sentimentos tão fortes de apoio e rejeição, é sinal de que ele deixou de ser apenas um nome e passou a representar uma ideia.
É por isso que não acredito que o fenômeno Bolsonaro possa ser compreendido simplesmente como uma questão familiar. Existe uma parcela significativa da sociedade que se identifica com aquilo que o sobrenome representa. E essa parcela não desaparecerá simplesmente porque alguém deseja que ela desapareça.
A Fênix não pede permissão para renascer
Talvez essa seja a parte mais interessante da metáfora. A Fênix não pede autorização para renascer. Ela simplesmente renasce.
E, na política, movimentos também podem renascer quando existe uma base social disposta a mantê-los vivos.
A família Bolsonaro terá muitos desafios pela frente. Precisará renovar suas lideranças, apresentar propostas, dialogar
com diferentes setores da sociedade e, acima de tudo, compreender que nenhuma liderança é maior do que o próprio povo que a
elege.
Não existe vitória permanente. Também não existe derrota eterna. Essa é uma das grandes belezas — e, ao mesmo tempo, uma das grandes incertezas — da democracia.
A vida me ensinou a não decretar o fim antes da hora
Aos 65 anos, olhando para trás, percebo que muitas coisas que um dia pareciam definitivas simplesmente não eram.
Pessoas que pareciam estar no auge caíram. Pessoas que pareciam derrotadas se reergueram. Projetos que pareciam impossíveis se concretizaram. E caminhos que pareciam encerrados encontraram novas portas. Por isso, aprendi a desconfiar daqueles que anunciam o fim de uma história antes que ela realmente termine.
Na vida, como na política, o jogo pode virar. Hoje se perde. Amanhã se ganha. Hoje se é criticado. Amanhã se é reconhecido.
Hoje se está nas cinzas. Amanhã pode estar novamente de pé. E é justamente por isso que a metáfora da Fênix é tão apropriada.
O que virá depois das cinzas
Não cabe a mim, nem a qualquer comentarista, determinar o futuro da família Bolsonaro. Quem decidirá será o eleitor. As urnas serão o verdadeiro tribunal da política.
E se há algo que 65 anos de vida me ensinaram é que não devemos subestimar a capacidade de alguém se levantar depois de uma queda.
A família Bolsonaro pode estar vivendo um novo ciclo. Pode estar diante de um renascimento político. Pode, inclusive, estar iniciando uma nova fase de sua história. Ou pode enfrentar novas. O tempo dirá.
Mas uma coisa já pode ser afirmada: quem imaginou que as cinzas significavam o fim talvez tenha esquecido que, na história da Fênix, as cinzas são justamente o lugar onde começa o renascimento. E talvez essa seja a grande lição que a política brasileira esteja nos oferecendo neste momento.
Nunca declare o fim de quem ainda tem forças para lutar. Porque, na vida e na política, o jogo vira a cada ciclo. E a Fênix, quando renasce, não volta para repetir o passado. Ela volta para escrever um novo capítulo.

