
Olá caríssimos,
Antes de vestir a camisa da seleção, o verdadeiro amante do futebol, assim como eu, veste a camisa do esporte. E é justamente por isso que reconhecer a genialidade de Lionel Messi não diminui em nada a paixão do brasileiro pela Seleção Brasileira. Pelo contrário: engrandece quem sabe separar rivalidade de grandeza.
A rivalidade entre Brasil e Argentina é uma das mais intensas da história do futebol. Ela atravessa gerações, alimenta debates intermináveis, provoca brincadeiras e cria uma atmosfera única cada vez que as duas seleções entram em campo. Mas há momentos em que a rivalidade precisa abrir espaço para o reconhecimento da excelência.
Lionel Messi é um desses casos.
Durante anos, muitos tentaram diminuir sua trajetória sob o argumento de que lhe faltava um grande título com a seleção argentina. Vieram a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo do Catar e, agora, mais uma
campanha memorável que coloca a Argentina novamente em uma final mundial, a da copa do Mundo de 2026. O que antes era uma lacuna tornou-se um currículo praticamente irretocável.
Messi não venceu apenas campeonatos. Ele venceu o tempo.
Enquanto inúmeros craques tiveram carreiras brilhantes por cinco ou seis temporadas, o camisa 10 argentino permanece decisivo por quase duas décadas. Poucos atletas conseguiram manter tamanho nível técnico, inteligência tática e capacidade de decidir partidas por tanto tempo.
O futebol sempre viveu da comparação entre gerações. Pelé, Maradona, Cruyff, Zidane, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Cristiano Ronaldo e tantos outros escreveram capítulos inesquecíveis. Messi, porém, construiu um livro inteiro. Não apenas pelos gols e assistências, mas pela naturalidade com que transforma jogadas difíceis em algo aparentemente simples.
Para nós, brasileiros, isso não significa abandonar a rivalidade. Muito pelo contrário. Continuaremos torcendo para o Brasil vencer a Argentina sempre que houver confronto, nem que seja num joguinho de palitinhos. Continuaremos comemorando cada vitória verde e amarela e lamentando cada tropeço diante dos nossos maiores rivais.
Mas negar a grandeza de Messi apenas porque nasceu do outro lado da fronteira seria uma injustiça com a própria história do futebol.
Quem assistiu aos dribles de Garrincha, à magia de Pelé, ao talento de Zico, à irreverência de Ronaldinho Gaúcho e à genialidade de Ronaldo Fenômeno sabe reconhecer quando está diante de um jogador que transcende nacionalidades.
Messi pertence a esse grupo.
Sua genialidade não é patrimônio exclusivo da Argentina; é patrimônio do futebol mundial.
Daqui a algumas décadas, quando os torcedores lembrarem dos maiores jogadores que pisaram em um gramado, Lionel Messi estará inevitavelmente entre os primeiros nomes. E aqueles que tiveram o privilégio de acompanhá-lo poderão dizer que testemunharam um dos maiores artistas que o esporte já produziu.
A rivalidade Brasil x Argentina continuará eterna. Ela faz parte da alma do futebol sul-americano. Mas a história também ensina que os grandes campeões merecem respeito, independentemente da camisa que vestem.
Reconhecer a genialidade de Lionel Messi não diminui o Brasil e nem engrandece o torcedor argentino e nem diminui o torcedor brasileiro.
Ao contrário, demonstra maturidade de quem ama o futebol acima das fronteiras e entende que os verdadeiros gênios aparecem poucas vezes em um século.
Quando aparecem, cabe apenas uma atitude: levantar-se e aplaudir – nesse século, no futebol, o esporte mais apaixonante do planeta, Lionel Messi é um desses gênios.

