UPPs: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come

Foto: Arquivo Google

Pressionado por todos os lados numa verdadeira sinuca de bico, o secretário de Segurança Roberto Sá tenta mudar as UPPs e dar alguma resposta às críticas até de dentro do governo, como do vice-governador Francisco Dornelles. Depauperada e enxugando gelo na ponta do descontrole social, a PM não consegue segurar os índices de criminalidade no asfalto e nem dar paz nas comunidades com UPPs. Porém, sair de favelas ocupadas representaria dar força aos traficantes.
O improviso foi reduzir o contingente nas unidades pacificadoras, mas permanecer com todas. Algo “para inglês ver”, para ganhar tempo. Qualquer especialista em segurança sabe que as UPPs só podem dar certo se houver mais homens, melhor treinados e equipados, mais investimento em inteligência, menos armas e drogas entrando no Rio e, claro, invasão de serviços sociais para moradores. Atualmente, é mais fácil um camelo passar por uma agulha do que isso acontecer.
NOTINHAS
Racha interno. Há uma grande insatisfação dentro das Forças Armadas com as ações realizadas no Rio. Até agora, elas se mostraram um grande fracasso. Os resultados são irrisórios, pelo tamanho da estrutura e dos gastos empreendidos nas três incursões. Altos oficiais avaliam que as tropas estão sendo expostas para o patrulhamento ostensivo, cujo papel é da polícia, e usadas com interesse político.
Pedra no sapato. Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública: nenhum desses provoca tanta dor de cabeça ao prefeito Marcelo Crivella como o advogado Victor Travancas. Já são 50 ações na Justiça, tendo como alvo a gestão da prefeitura em 2017. As decisões impediram o filho de Crivella de assumir cargo no município e também o acúmulo de cargo da secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira.
À mingua. Depois de cinco meses de atrasos nos salários, os funcionários da Vila Olímpica, na Ilha do Governador, vão cruzar os braços. Não há mais condições de trabalhar. A prefeitura diz que não tem orçamento e quase todos os espaços estão fechados. As vilas serviam como única opção de lazer e esporte para milhares de pessoas carentes do Rio.
BARBÁRIE
Um morador da favela do Jacarezinho, local recente dos piores confrontos da cidade, disse que foi o tempo em que o traficante poupava a comunidade. Em momentos de tiroteio, disse ele, “os bandidos estão atirando nos moradores para colocar a culpa na polícia e parar a operação”. Nas últimas semanas, pelo menos quatro moradores da favela morreram. Resta saber com a investigação da Polícia Civil de onde partiram os tiros fatais que mataram esses inocentes.

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