23 de junho de 2024
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Persona non grata

O anão diplomático encolheu ainda mais.

Foto: Hélvio

Tenho certeza de que não foi uma nem duas, mas dezenas de vezes. Lembro-me perfeitamente de pequenas e divertidas discussões políticas quando eu, já bastante vivido e calejado, caí na besteira de aprofundar o assunto “ideologia” com jovens – vizinhos, familiares, filhos de amigos etc. Com essa turminha, geralmente universitários de cabeça feita, não adianta “aprofundar” nada. Ao menor sinal de surgimento do saudável contraditório, eles se refugiam nas frases feitas, clichês, slogans e narrativas que trazem do campus e repetem como papagaios treinados.

Pedi a vários que me definissem o que entendem por “comunismo”, “sionismo”, “semita” e até “nazismo”. Ou até que conceituassem a mais fácil de todas: “terrorismo”. Não conseguem, emburram, e os mais exaltados chamam-me logo de “fascista”. É compreensível: estamos diante de uma geração que infelizmente naufraga em conhecimentos gerais, política local e internacional, atualidades e sobretudo em história – a grande mestra da civilização.

Porém, esta semana tive ganas de cutucar alguns mais próximos para saber o que acharam do crime de responsabilidade do atual ocupante da Presidência – sujeito endeusado no passado, e hoje em franca decadência, no qual muitos desses jovens votaram. Mas preferi adotar um silêncio obsequioso.

Graças à estupidez da sentença dita pelo chamado mandatário maior da nação, o Brasil acaba de conquistar novo troféu na extensa lista de vexames diplomáticos creditados à incompetência e à arrogância desse governo: “Persona non grata”. Como muita gente não estudou latim, convém esclarecer: é a primeira vez que um presidente leva uma lambada dessas na cara. A expressão pertence ao universo da diplomacia; tal pessoa não é bem-vinda ou foi banida do convívio por determinado grupo. Simplificando, garotos e garotas, “persona non grata” equivale, mais ou menos, a você unir seus dedos polegar e indicador, formando um pequeno círculo e, num gesto enfático, exibir o arranjo nas fuças de alguém que lhe dirigiu uma ofensa, um xingamento qualquer.

Até que se redima – pouco provável, porque não percebe a extensão do dano – o referido idoso não poderá botar os pés no território israelense, bem como acaba de fechar muitas portas sutis nos planos econômicos e sociais mundiais, prejudicando imensamente o país. O cara já não pode andar por qualquer rua do Brasil, onde venceu a polêmica eleição. Agora, não poderá mais passear pelas cidades e kibutz israelenses e talvez aprender como se faz um Estado livre, democrático, independente e altaneiro.

Um tsunami de sanções pode atingir Brasília. Terá ele dito isso apenas como bravata, já que ninguém lhe dá muita bola, tentando holofotes após o fiasco de sua viagem à África, onde nenhum líder ou estadista expressivo quis encontrá-lo? Ou serão, já, sinais da idade provecta e da inevitável decadência mental que o fizeram confundir uvas com olivas?

O grave conflito entre o Estado de Israel e a organização terrorista Hamas já permitiu que uma burocrata desconhecida ganhasse segundos de fama na bolha esquerdista. Gleide Andrade, secretária nacional de Planejamento e Finanças do PT e conselheira de Itaipu, no ano passado postou nas redes: “Israel é assassino”, “uma vergonha para a humanidade”, “não merece ser um Estado”. Nas notícias, soubemos ainda que seu cachê para cantar versos tão cheios de amor e carinho é de R$ 37 mil mensais, pagos pelos brasileiros. Melhor esquecer. Até porque essa performance só fez sucesso para a pequena plateia que já conhecemos. É a mesma que aplaude o atraso, a censura, as tiranias e o “terror do bem”. E a que foge das discussões porque não tem elementos para tal, fingindo-se de fanzocas da paz e da justiça.

Fonte: O Tempo

Fernando Fabbrini

Escritor e colunista de O TEMPO

Escritor e colunista de O TEMPO

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