14 de julho de 2024
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As balas perdidas no Rio

Bebê Artur, ferido dentro da barriga de sua mãe por uma bala perdida: Foto: O Globo/G1

Parabéns a todos que assistiram telejornais ontem e conseguiram dormir, acordar hoje e sair para trabalhar. Em particular, aos cariocas, parabéns! Estamos inaugurando um novo espectro da raça humana.
Nenhuma hastag “somostodosartur ou somostodosvanessa ou somostodoserica”. Apenas tocando nossas vidas, em particular os cariocas, sobretudo aqueles que não tiveram seus filhos dilacerados por balas perdidas.
Somos zumbis que assistem inertes crianças sendo assassinadas. Quando muito, lamentamos. Mas somos incapazes de alterar um milímetro de nossas rotinas, pelo menos enquanto não somos mortalmente atingidos, ou a nenhum dos nossos.
Não há, ainda, indignação suficiente para que o povo acorde e diga CHEGA. Só haverá quando as balas chegarem ao asfalto e matarem crianças da classe média ou alta.
Ufa! Então haverá mobilização, artistas globais sairão às ruas com camisetas ridículas e carros de som, braços dados e gritos de guerra. Exaltarão o futuro brilhante que aquele anjo poderia ter tido, haverá lágrimas e pedidos de destituição do governo.
Nos transformamos em zumbis anestesiados. Em particular os cariocas.

O Boletim

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