7 de julho de 2022
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A minha Samanta

Jamais pensei que, um dia, fosse defender a sra. Dilma Roussef. Mas é exatamente o que farei.

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Tenho lido comentários sobre o labrador Nego, que foi abandonado e, depois, sacrificado por determinação dela.
Calma, gente. Ninguém sabe os motivos de dona Dilma, estamos julgando apressadamente. Eu já passei por uma situação igualzinha e sei o quanto me custou e ainda custa.
Tive uma Beagle maluquinha e dengosa chamada Samanta. Viveu como princesa, cercada de mimos. Um dia, já doente, foi recolhida a um hotel de animais onde, meses depois, sozinha, sem ninguém ao lado, morreu./Quando recebi a notícia, senti exatamente o que estou sentindo agora, enquanto escrevo. Meu coração despedaçou, fiquei arrasada. Sei que jamais me recuperarei do sentimento de culpa.
Acontece que a Samanta envelheceu e perdeu o controle do esfíncter – sujava a casa toda – exatamente na época em que um de meus netos, que teve um seríssimo problema de saúde, engatinhava. O chão era limpo com extraordinário cuidado. Mas eu não podia deixar um menino frágil, que o pediatra já desenganara, sujeito à uma possível contaminação por coliformes fecais.
Hoje meu neto é um rapaz forte, saudável e lindo. Amo-o de paixão. Se, outra vez, tivesse que me afastar da Samanta para protegê-lo, eu me afastaria.
Quando me lembro da situação que vivemos, tenho consciência de que, naquele momento, cabia-me, como avó, manter a cabeça erguida e tocar a vida em frente para dar força aos filhos, os pais da criança.
Quem sabe a dona Dilma também não tem um problema sério em casa, não precisa proteger a saúde de alguém?
Quem abandona um cachorro precisa se apoiar num motivo fortíssimo. Ninguém desconhece que detesto a ex-presidente. Mas, com certeza, há ou havia fortes razões para ela largar o Nego para trás.
Ninguém abandona, sem muita dor, um anjo de quatro patas.
Meu consolo é o meu neto. Nunca pensei que pudesse amar alguém tanto quanto eu o amo.
Acho que a Samanta me entende e me perdoa. Ao menos, agora, ela sorri, abana o rabo e tenta lamber as minhas lágrimas.
Desconfio que, coitadinha, ela sabe que não tive escolha. E que ainda a amo muito.
Sempre amarei.

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