Vai melhorar (16). A cada semana, mais sinais

14599729_1148337305260648_1029667396_o
Até mesmo no terrível quadro do emprego há bons indícios.
Só pessoas obnubiladas pela cegueira ideológica e profunda desonestidade intelectual podem atribuir – como fez Luiza Erundina (PSOL), em debate na Rede Globo – ao governo Michel Temer, que não tem sequer 5 meses, a recessão em que o Brasil mergulhou, com uma taxa de desemprego que chegou agora a 11,8%% da população economicamente ativa, ou 12 milhões de brasileiros.
A pior crise econômica da História do Brasil é culpa dos governos lulo-petistas, que, a partir do segundo mandato de Lula, e mais acentuadamente ainda no período Dilma Rousseff, abandonaram o tripé básico que havia sido mantido quanto Antonio Palocci foi o ministro da Fazenda e Henrique Meirelles presidente do Banco Central, e inventaram a tal “nova matriz econômica”. Culpa única e exclusiva do período petista na Presidência.
Tanto que, desde o afastamento de Dilma Rousseff, no dia 12 de maio, começaram a surgir sinais, indicações, de que a marcha rumo ao fundo do poço foi estancada, e a economia inicia – apenas inicia, é bem verdade – um movimento na direção contrária, de saída do atoleiro.
Já foram reunidas aqui, em 15 diferentes ocasiões, reportagens e artigos que demonstram que as coisas vão começar a melhorar – ou até mesmo que já estão começando a melhorar.
Ao longo da semana que passou, surgiram mais sinais, mais indicações. Aí vão alguns deles:
* As vendas no varejo registram em agosto primeira alta desde abril de 2015.
Diz reportagem de Márcia De Chiara no Estadão de 27/9: “O comércio começa a dar sinais de reação. Em agosto, o movimento de vendas das lojas foi 1,1% maior em relação ao mesmo mês do ano passado. Uma variação positiva anual não acontecia desde abril de 2015. Também na comparação com julho houve crescimento no volume de negócios, de 1,5%, apontam os dados da Boa Vista SCPC, que acompanha o desempenho do varejo com base nas consultas feitas pelas empresas varejistas para dar sinal verde ao fechamento dos negócios.
* O resultado do comércio em agosto é alentador.
É o que diz editorial econômico do Estadão de 29/9: “O crescimento de 5,7% (ou 4,4%, com ajuste sazonal) em agosto, na comparação com julho, das vendas de móveis e eletrodomésticos, segmento que vinha sendo um dos mais afetados pela crise, é o dado mais animador da pesquisa há pouco divulgada pela Boa Vista SCPC. Esse resultado impulsionou as vendas do comércio varejista em geral no mês passado, que tiveram aumento de 1,5% diante de julho e de 1,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Esta foi a primeira variação positiva do varejo desde abril de 2015 no confronto por período anual.”
* Aumenta a confiança dos empresários do comércio.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio, medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, serviços e Turismo, teve um crescimento de 1,5% em setembro em relação a agosto, com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve um crescimento de 14,8% na confiança dos empresários.
* O país continua a atrair investimentos diretos
É o que mostra editorial econômico do Estadão de 28/9: “Embora tenha havido grande saída de aplicações em renda fixa (US$ 15,55 bilhões de janeiro a agosto), o País está atraindo um maior volume de Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) destinados a fins produtivos, e que por isso tendem a permanecer longo período no País. Em agosto, o valor de IED foi de US$ 7,20 bilhões, somando US$ 41,1 bilhões no acumulado do ano. O BC estima que US$ 6,5 bilhões de IED devem ingressar em setembro, reforçando a projeção de que o total do ano alcance US$ 70 bilhões.”
* Empresários de multinacionais prometem manter investimentos
Reportagem de Eduardo Barretto e Simone Iglesias no Globo de 28/9 ratifica o que foi dito no editorial do Estadão acima: “Pouco menos de um mês após ser confirmado no cargo, o presidente Michel Temer recebeu ontem, no Palácio do Planalto, os principais executivos de três grupos estrangeiros importantes que atuam no Brasil: Shell, Fiat Chrysler e Hyundai. Temer ouviu dos executivos que os investimentos no país serão mantidos e, em alguns casos, até expandidos. O presidente da Hyundai no Brasil, William Lee, disse que estuda aumentar investimentos no Brasil. Afirmou que a crise econômica brasileira é normal e vai passar. Acrescentou que a empresa tem uma parceria estratégica com o país.
(…) Já o presidente mundial da petrolífera Shell, Ben van Beurden, admitiu que as notícias de corrupção envolvendo a Petrobras, de quem a empresa é parceira, preocupam. O executivo afirmou, no entanto, que acredita na capacidade de a estatal brasileira se recuperar. A reunião com Temer, segundo Beurden, foi agendada para conversar sobre o ambiente de negócios no país e para dizer que a petrolífera americana confia no governo brasileiro.”
* Importação indica retomada da indústria, mostra a FGV.
“O recente aumento das importações no País parece esconder uma boa notícia sobre a atividade econômica”, diz reportagem de Daniela Amorim no Estadão de 29/9. “Os dados desagregados da balança comercial sugerem que há uma recuperação não apenas nos investimentos, mas também na produção industrial. As informações constam de um novo índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas. O Indicador Mensal da Balança Comercial trará variação dos índices de preços das exportações e importações e também no volume. (…) O levantamento mostra que o volume importado de bens de capital em agosto aumentou 16% em relação ao mesmo período de 2015. Ao mesmo tempo, houve um salto de 41% nas importações de bens intermediários, que estão ligados à retomada da produção industrial.”
***
* Mesmo no desolador quadro do emprego, há alguns sinais positivos.
Até mesmo na questão mais crucial de todas – o índice de desemprego –, apesar da situação pavorosa, houve sinais positivos. Em agosto, segundo os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o país fechou mais 33.953 postos de trabalho com carteira assinada – foi o 17º mês consecutivo em que o mercado de trabalho demite mais do que contrata.
No entanto, os números mostraram uma recuperação nos índices de emprego, com uma desaceleração no corte de vagas. E, pela primeira vez desde fevereiro de 2015, como escreveu Manoel Ventura em reportagem no Globo de 24/9, a indústria de transformação abriu postos de trabalho, com a geração de 6,2 mil empregos com carteira assinada.
O site do Valor Econômico informou, no dia 29/9, que o emprego no setor da indústria eletroeletrônica voltou a crescer pela primeira vez após 18 meses: “A indústria elétrica e eletrônica abriu 252 postos de trabalho em agosto, a primeira expansão em 18 meses, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), com base nas informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (Caged). O último resultado positivo havia sido em janeiro de 2015, quando 742 postos foram criados. ‘Passamos pela fase de redução das demissões e agora começam as contratações. Esperamos que esta tendência permaneça’, afirmou Humberto Barbato, presidente da Abinee, em nota. Entre janeiro e agosto, o setor fechou 8,1 mil postos de trabalho. O total de contratados na indústria eletroeletrônica é de 239,9 mil pessoas.
***
Seguem abaixo uma reportagem e um artigo que mostram sinais positivos dentro da imensa crise deixada pelos governos de Lula e Dilma Rousseff.
***
Brasil mostra sinais de melhora após severa contração, diz FMI
Por Altamiro Silva Junior, Estadão, 28/9
A economia do Brasil está mostrando alguns sinais de melhora após enfrentar severa contração, afirmou hoje em evento em Chicago a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. A dirigente disse ver um “otimismo cauteloso” no cenário para os países emergentes, destacando avanço nas perspectivas para a Rússia e Brasil, mas o quadro para os países desenvolvidos ainda sinaliza crescimento moderado.
“Nos últimos anos, a recuperação global tem sido frágil e fraca e este continua a ser o caso hoje, especialmente para os países desenvolvidos”, afirmou Lagarde no discurso. A dirigente ressaltou, sem falar em números – os quais serão divulgados na semana que vem na reunião anual do FMI -, que uma “modesta recuperação” é esperada para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, mas “consideráveis incertezas continuam” em meio à divergências de políticas monetárias, que podem levar ao renascimento da volatilidade financeira.
“Os riscos econômicos são exacerbados pelo terrorismo, aumento dos refugiados e uma crescente reação contra o comércio e a globalização”, disse Lagarde. Nesse cenário, a diretora do FMI cobrou que os países mantenham políticas de apoio à atividade, não apenas a monetária, mas que os governos adotem medidas fiscais e estruturais, capazes de estimular a demanda e o investimento. O FMI alerta ainda para maior necessidade de cooperação internacional entre os governos na política econômica.
Lagarde destacou que o crescimento dos Estados Unidos decepcionou na primeira metade de 2016 e a previsão para o PIB do país no ano deve ser rebaixada pelo FMI no relatório que divulgará na semana que vem, no início da reunião anual em Washington. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho norte-americano “tem dado notícias positivas”, enquanto a expansão da zona do euro permanece abaixo da média e o Japão tem visto alguma recuperação, mas vai precisar implementar reformas para crescer mais.
Nos emergentes, além da menção ao Brasil e Rússia, Lagarde diz que a Índia segue com reformas e deve crescer na casa dos 7% este ano, enquanto a China passa por uma “necessária e bem-vinda transição no modelo de crescimento”, que reduziu o ritmo de expansão do PIB para ao redor de 6%.
***
Melhora o horizonte
Por Míriam Leitão, O Globo, 28/9.
Uma inflação mais baixa e juros que podem cair em breve. A atividade econômica se estabilizando. A confiança dos consumidores em nova alta. Essas foram as boas notícias de ontem. O país começa a sair do ciclo recessivo que fez o PIB ficar estagnado um ano e cair dois anos consecutivos. Ainda não é o fim do ciclo, mas o Relatório de Inflação mostra que caminha-se para mudar de fase.
O Banco Central divulgou que as expectativas de inflação, no seu cenário, estão abaixo do centro da meta em 2017 e 2018. Isso significa que aumentaram as chances de cortes nas taxas de juros. Já a Fundação Getúlio Vargas divulgou que a confiança dos consumidores subiu novamente em setembro, no quinto aumento seguido, e melhorou também a confiança do setor de construção civil.
O Relatório de Inflação veio com mais novidades que permitiram avaliar melhor como o Banco Central está analisando a conjuntura econômica. No cenário de referência, em que tudo permanece como está, principalmente a taxa de juros, nos 14,25%, a inflação fica em 4,4% no ano que vem e 3,8% no ano de 2018. Em um dos cenários novos que ele divulgou, considerando a hipótese de os juros caírem 3,25%, indo para 11%, a inflação terminaria o ano que vem em 4,8% e ao fim de 2018 estaria em 4,5%. Com isso, e outras informações e hipóteses do relatório, se chega à conclusão de que o Banco Central está se preparando para baixar a taxa de juros, apesar de a inflação dos últimos 12 meses estar ainda em 8,7% e de a previsão para este ano, feita pelo BC, ter subido de 6,9% para 7,3%.
O Bradesco divulgou análise, logo depois, dizendo que espera queda de 0,5% na Selic, em outubro, e outro corte de 0,5%, em novembro, terminando o ano com 13,25%. Outras instituições financeiras soltaram relatórios apostando em quedas das taxas de juros no futuro próximo.
O departamento econômico do Itaú dissera na véspera que a economia brasileira pode crescer até 4% em 2018 se conseguir aprovar as reformas. Mas nem todos estão assim otimistas. A mediana das previsões está em torno de 2,5% para 2018. Mas algumas instituições e consultorias acreditam em uma recuperação mais rápida.
A quinta alta seguida da confiança do consumidor levou o índice ao maior patamar desde janeiro de 2015. Olhando a pesquisa com mais atenção, no entanto, percebe-se que as famílias estão sofrendo com o momento atual, ao mesmo tempo em que acreditam em melhora no futuro. Enquanto o índice de situação atual caiu 1,3 ponto, o índice de expectativas subiu 3,2 pontos. O brasileiro ainda sente os efeitos da recessão, com inflação e desemprego elevados, mas voltou a acreditar que é possível deixar a crise para trás.
O setor de construção civil foi duramente afetado pela crise econômica, mas também começa a dar sinais de que volta a respirar. A confiança subiu pelo terceiro mês seguido, em setembro, e retornou ao patamar de junho do ano passado. A expectativa de queda dos juros vai ajudar a alavancar projetos de longo prazo e o anúncio do Programa de Parceria de Investimentos foi bem recebido pelos empresários.
As notícias são boas, mas não se pode perder de perspectiva quanto custa errar na economia. O descontrole fiscal e o descuido com a inflação levaram a taxa a ficar em dois dígitos e o país teve que viver, por um longo tempo, uma soma de amarguras: uma economia em contração de mais de 3% ao ano, com uma taxa básica de juros estratosférica, de 14,25%, e uma inflação elevada. No Brasil, pela sua história inflacionária, por haver ainda muita indexação, e por ter parte do seu mercado de crédito direcionado, a inflação é muito menos sensível aos juros. Na maioria dos países, uma taxa de juros alta como esta e uma economia em retração reduziriam a inflação mais rapidamente. Por isso é tão perigoso ser leniente com a inflação no Brasil.
O Banco Central fez uma avaliação positiva também do cenário internacional. Houve uma redução da aversão ao risco e não houve o que se temia com o plebiscito a favor do Brexit. A incerteza maior continua sendo interna. Não se sabe qual será o ritmo de aprovação das reformas, e em quantos anos o país conseguirá conquistar o reequilíbrio das desorganizadas contas do governo.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *