7 de julho de 2022
Sergio Vaz

Vade retro, PT!

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Foi um vexame nacional. Mas gosto especialmente é do vexame paulista.
A coisa foi nacional – ampla, geral e irrestrita: o Brasil rejeitou o PT nestas eleições municipais. Depois de 13 anos de lulo-petismo na Presidência da República, 4 eleições presidenciais consecutivas vencidas, um universo de corrupção e o país enfiado na maior crise econômica da História, o PT sai deste primeiro turno de 2016 como o décimo partido em número de prefeitos eleitos.
Em 2012, elegeu prefeitos em 619 municípios. Foi o terceiro partido com mais prefeitos. Agora, venceu em 235. Caiu do terceiro para o décimo lugar.
Nos primeiros momentos da apuração, colecionei alguns números. Eis as percentagens de votos obtidas pelos candidatos do PT em capitais cidades importantes que finalizaram a apuração ou chegaram bem perto disso até as 20h30 do domingo:
Rio de Janeiro (PCdoB coligado ao PT, com Dilma e Lula no palanque) – 3,34%
Belém – 1,71%
Vitória – 3,4%
Curitiba – 4,28%
João Pessoa – 4,43%
Campo Grande – 1,98%
Londrina (PR) – 1,75%
Palmas – 3,71%
Maceió – 2,43%
Boa Vista – 3,83%
Goiânia – 6,8%
São Caetano do Sul (ABC Paulista) – 0,96%
***
Mas o partido do mensalão, do petrolão e da recessão não foi ainda inteiramente jogado na lata de lixo da História. Teve votações superiores a dois dígitos em algumas cidades importantes:
Recife – 23,7% – Vai para o segundo turno!
Natal – 10,1%.
Porto Alegre – 16,37%
Fortaleza – 15,01%
Manaus – 10,99%
São Paulo – 16,70%
Sobrevive, ainda, o partido do mensalão, do petrolão e da recessão.
Mas menor, muitíssimo menor.
Então, a coisa é nacional, ampla, geral e irrestrita.
Como bem resumiu @edmilsonpapo10 no Twitter: “Lula viajou para o Recife, Natal, Fortaleza, São Paulo e Rio. Todos os candidatos que ele apoiou perderam. Até seu filho perdeu para vereador.”
Mas, para mim, o que mais pega, o que mais fala, é o que está aqui bem perto de mim.
***
Ali na Baixada Santista, onde a OAS reformou o tríplex para a família Lula da Silva, o PT não elegeu ninguém. Foi assim, segundo conta meu amigo Elói Gertel:
Santos – O prefeito do PSDB, reeleito com 77,74% dos votos.
Praia Grande – o candidato do PSDB foi eleito com 76,03% dos votos.
Itanhaém – O candidato do PSDB foi eleito com 76,02% dos votos.
Bertioga – O candidato do PSDB foi eleito com 63,41% dos votos.
São Vicente: – O candidato do PMDB foi eleito com 50,43% dos votos.
Cubatão – O candidato do PSDB foi eleito com 41,53% dos votos.
Mongaguá – O candidato do PSDB foi eleito com 38,41% dos votos.
Peruíbe – O candidato do PSDB foi eleito com 28,50% dos votos.
Guarujá – Na única cidade da Baixada que terá segundo turno, disputarão a candidata do PPS e o do PSB.
No ABC, o lugar em que o PT nasceu, e nas duas maiores cidades da Grande São Paulo depois da capital e das do próprio ABC, o PT também se ferrou.
Em Diadema, ficou em terceiro.
Em Guarulhos, ficou em terceiro.
Em Osasco, ficou em quinto.
Em São Bernardo do Campo, a cidade em que Lula mora, a cidade em que fez a carreira sindical, a cidade em que o prefeito é Luiz Marinho, o cara da CUT, o PT ficou em terceiro!
***
E aí tem São Paulo, a capital, a cidade que, quando tinha 18 anos, nenhum tostão no bolso e um bando de sonhos e esperanças, escolhi para viver.
O amor que a gente tem pela cidade que a gente escolhe é um pouco diferente do que sente a pessoa que já nasceu ali. Para quem já nasceu ali é um tanto obrigatório gostar. Para quem escolhe, acho que o amor é maior, mais cheio.
***
Dá para imaginar o que passou o povo mais ligado à campanha de Fernando Nuliddad, nas últimas horas? Pouco depois das 18 horas do sábado, dia 1º/9, véspera do dia da eleição, sai o Datafolha, dando que Haddad tinha pulado de 13 para 16 pontos, enquanto Marta Suplicy caía de 17 para 14 e Celso Russomano despencava de 26 para 16 pontos.
Meu, o Datafolha assegurava que Nuliddad passaria para o segundo turno!
Era a grande esperança vermelha!
Haveria o chamamento geral: povos lulo-petistas de todo o país, uni-vos em São Paulo! Estamos vivos na maior cidade do país! Não nos renderemos! No pasarán!
Menos de 24 horas depois, às 17h01 do domingo, vem o resultado da pesquisa boca de urna do Ibope, ratificando o que o Datafolha havia anunciado: Dória, 48%, Nuliddad, 20%, Russomano, 14%, Marta, míseros 11%.
O povo do Nuliddad deve ter entrado em alfa, em ômega, em absoluto êxtase – para, míseras duas horas depois, ver que os números da realidade são diferentes dos números dos institutos de pesquisa. Poucas vezes na vida esse pessoal terá experimentado tamanha reversão de expectativa.
***
Comigo aconteceu o contrário.
Tinha confiança em que Nuliddad não iria para o segundo turno, de jeito algum. Tinha certeza – talvez baseada, em boa parte, na esperança, na torcida.
O anúncio dos números da boca de urna do Ibope me deixou triste, desacorçoado, desanimado.
Quando os números reais, do TRE, foram dando João Dória com 52%, 53%, fui botando cada vez mais o pé atrás: não, não, ele vai cair nos próximos minutos, me dizia.
Quando enfim terminou de vez a apuração, tive uma explosão de alegria.
Não porque ganhou João Dória, o candidato do meu partido, apesar de ser um arrivista. Não era o meu candidato. O meu candidato era Andrea Matarazzo, tucano histórico, e este sim, extremamente bem preparado, o melhor candidato de todos.
Dória foi o candidato do governador Geraldo Alckmin, figura menor, por quem tenho desprezo. (Como não desprezar o sujeito que jogou fora a herança bendita de FHC comparecendo a um debate de TV usando jaqueta com os logotipos de todas as principais estatais do país?)
E no entanto não pude me impedir de ter uma explosão de alegria.
A cidade que escolhi para viver, a cidade que é como o mundo todo, chutou Fernando Nuliddad para a lata de lixo da História.
O Estado que escolhi para viver chutou o PT para escanteio. Para fora do jogo.
Vade retro, Petenás.

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