7 de julho de 2022
Rodrigo Constantino

Crítica ao salário mínimo novo é pura má-fé ou ignorância: esta tem cura, aquela não, pois é desvio de caráter


A esquerda está desesperada. Entendemos, e quase nos compadecemos com tanta dor alheia. Minto. Eu costumo nadar nas lágrimas esquerdistas, e tenho uma caneta que não me deixa mentir. Mas vamos aos fatos: na falta do que criticar num começo excelente de gestão, com discursos republicanos, com medidas contra privilégios anunciadas, restou à esquerda reclamar do novo salário mínimo. Bolsonaro, o insensível, o preconceituoso, aquele que não liga para os pobres, resolveu reduzir o piso do salário. Monstro!
Ocorre que não foi nada disso, claro. O que seria da esquerda sem a mentira? Caio Copolla colocou os pingos nos is na Jovem Pan:
Haddad, sobre salário mínimo de Bolsonaro: desinformação ou má-fé? Caio Coppolla pergunta. #JPMorningShow pic.twitter.com/vhlqxA0pw0
— Jovem Pan News (@JovemPanNews) January 3, 2019
A economista Renata Barreto também tinha explicado a falácia numa mensagem, que foi replicada pelo presidente Bolsonaro:
“Mal começou o ano e o mandato do novo Presidente, que a desinformação já está correndo solta. A bola da vez? O salário mínimo.
Fernando Haddad, candidato derrotado do partido que assaltou o país, resolveu ironizar: “povo começou a se libertar do socialismo: salário mínimo previsto para R$1.006,00, foi fixado em R$998,00. Sem coitadismo. Selva!”
Haddad sabe que o salário mínimo segue uma regra, assinada na época de Dilma Rousseff, em que se leva em consideração o PIB de dois anos antes e a inflação do ano anterior (usando o índice INPC). Mas para ele, desde sempre, o que importa é mentir e manipular. O valor divulgado de R$1.006,00 era apenas uma PREVISÃO, de acordo com a expectativa de inflação. Como a inflação foi menor do que o esperado, também ficou menor o salário mínimo. Todo esse orçamento foi aprovado no governo Temer, apenas assinado pelo novo Presidente.
Todo liberal sabe ainda que não adianta aumentar o salário mínimo na canetada, o que gera mais desemprego. É preciso melhorar as condições gerais da economia, de empregabilidade e educação. Muitos países desenvolvidos não têm nem mínimo estipulado, mas ganham muito mais que os brasileiros.
Os próximos anos serão recheados de manipulação da informação e mentira deslavada. Antes de saírem por aí divulgando as coisas, confiram bem. Nunca antes o senso crítico teve tanto valor”.
Ela está coberta de razão, assim como Caio Copolla. O salário mínimo tem uma regra que não foi inventada por Bolsonaro, muito menos por Paulo Guedes. Até porque se dependesse do ministro liberal, tenho certeza de que ele seria… extinto! Isso mesmo. Como Renata explica, e eu também já cansei de explicar aqui, o salário mínimo é um obstáculo para a livre negociação no mercado de trabalho, que produz normalmente mais desemprego ou informalidade. Tenho vários textos sobre isso publicados no meu blog, de minha autoria e de terceiros. Eis um deles, de Fabio Ostermann. Aqui temos outro, de Luan Sperandio. E mais um, de João Luiz Mauad. No meu blog antigo já falava disso.
Ou seja, quem quiser realmente entender os custos do salário mínimo para os mais pobres, a quem deveria ajudar, vai encontrar farta literatura por aí. Em meu curso online de economia dediquei uma aula ao assunto também. Só a falta de vontade de aprender explica alguém ainda insistir nessa falácia demagógica, de que basta dar uma canetada do governo para aumentar os salários dos que ganham menos. Se fosse tão simples, não haveria mais pobre no mundo! Mas ironicamente há mais pobres onde existem mais regulações trabalhistas, sindicatos fortes e governos populistas fazendo de tudo para forçar o aumento dos salários. Não é mera coincidência…
Os ignorantes podem sempre aprender e deixar a ignorância para trás. Já aqueles que partem com má-fé não têm cura: demonstram desvio de caráter mesmo. Formam a maioria da esquerda organizada na atualidade.
Fonte: Gazeta do Povo

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