9 de agosto de 2022
Eliana de Morais

Hospitalidade: mudança e evolução

Aviões, hotéis e navios sempre souberam se adaptar aos novos tempos, mas não podem perder o foco na hospitalidade
Texto: Fabio Steinberg

A ESSÊNCIA – seja qual for o tipo ou local da hospitalidade, o que importa é receber e saber servir
Dos anos 50 para cá, a história da hospitalidade é feita de mudanças e evolução. Aviões, hotéis e navios se adaptaram aos tempos e novo perfil dos clientes. Foi graças a esta radical transformação que viagens e turismo deixou de ser atividade voltada para poucos para se tornar uma das mais prósperas indústrias da economia mundial.
O MUNDO NOS ANOS 50
Década de 50. O mundo respira, aliviado, o fim da 2ª Guerra Mundial. No entanto, as pessoas mal percebem a aproximação de duas novas guerras, menos convencionais. A primeira será comportamental. A outra, tecnológica. Ambas terão o poder de alterar a maneira como os homens vivem, e se relacionam entre si e com o planeta.

ANOS 50 – hospitalidade evolui enquanto o mundo se encanta com Gene Kelly em “Cantando na Chuva”
É nesta época que a televisão chega ao Brasil, a ciência comemora a descoberta do DNA, a vacina da poliomielite, e o lançamento pelos russos do satélite Sputnik. Na mesma década, o Brasil perde a Copa do Mundo para o Uruguai, para ganhá-la oito anos depois.
O rock and roll pega fogo, a bossa nova dá os primeiros passos. Gene Kelly dança no filme “Cantando na Chuva”, Fidel Castro lidera a revolução cubana e a boneca Barbie é inventada.
O mundo, agora em paz, permite que a economia se desenvolva e democratize o turismo, as viagens e a indústria de hospitalidade. É neste cenário que as primeiras companhias aéreas surgem. Nos anos seguintes voar deixará de ser coisa de elite para virar transporte de massa.
AVIAÇÃO COMERCIAL

TEMPOS HEROICOS – difícil imaginar esta cena de desembarque dos anos 50 nos aeroportos atuais
As primeiras aeronaves, apesar de barulhentos e instáveis, eram confortáveis e luxuosas. Pilotos e atendentes de bordo eram privilegiados e invejados. Pegar avião era ato de coragem, pois segurança de voo ainda não era visto como prioridade. Mas nem mesmo a frequência de acidentes, inúmeras escalas, e o imenso tempo de voo afastaram passageiros. A aviação comercial, enfim, decolou.
“Foi provavelmente a época mais glamorosa, talvez só comparável à era dos dirigíveis”, avalia Adalberto Febeliano, profissional com 25 anos de experiência em aviação e Professor de Economia do Transporte Aéreo.
Para compensar os preços absurdos, a bordo talheres e pratos de alta qualidade e refeições caprichadas faziam parte do glamour. Com álcool liberado, era comum passageiros desembarcarem bêbados. Fumar em voo não só era permitido, como considerado charmoso. Banheiros espaçosos e áreas de convivência substituíam o entretenimento de bordo.
As companhias aéreas passaram a encomendar aeronaves desenhadas para a aviação civil, e não mais usar aviões militares modificados. Primeiro vieram os movidos a hélice. A seguir, os turboélices. Sempre que possível os quadrimotores para garantir se um ou mais deixasse de funcionar no ar.

SALAMALEQUES – com a evolução das companhias aéreas, vale tudo para atrair passageiro
Novas tecnologias viabilizaram jatos com maior autonomia. Nasce em 1958 o 707, primeiro jato de passageiros de sucesso, e que transformou a Boeing na maior fabricante de aviões do mundo. A fuselagem larga (wide body) permitiu o transporte de mais passageiros e carga. A redução de tarifas popularizou o transporte aéreo.
EVOLUÇÃO DOS HOTÉIS
Enquanto isto, a evolução dos hotéis a partir dos anos 50 não é menos fascinante. Com mais gente comprando carros, aumentaram as viagens tanto a trabalho e lazer. Esta nova clientela levou a repensar o modelo de negócios hoteleiro, até então com foco em cassinos.

SOBREVIVENTE – o Copacabana Palace, no Rio, é dos raros exemplares brasileiros da hotelaria clássica
Este processo também ocorreu no Brasil, mas de forma um pouco diferente. “No pós-guerra, os projetos arquitetônicos trocaram a influência europeia clássica pelo modernismo norte-americano, com linhas limpas, fachadas em concreto, vidro e aço, edifícios altos”, explica Caio Calfat, respeitado consultor em hotelaria.
Com a presença crescente de famílias em viagem, os amenities se adaptaram ao novo hóspede. Surgem kits de costura, secadores de roupa retráteis nos banheiros, shampoos, entre outros agrados. A seguir vieram o minibar, máquinas de gelo e venda de mercadorias, room service e tevê a cores nos quartos.
O pagamento por cartão de crédito só se populariza nos anos 90. Logo depois o boom tecnológico viabiliza reservas pela internet nos sites dos hotéis. Finalmente, aparecem quartos com wi-fi, hoje item indispensável. Desde então, as mordomias se diversificaram, e a cada dia há novidades.
“A evolução da hotelaria proporcionou a segmentação, com a adoção de nova classificação em substituição às antigas estrelas”, explica Caio Calfat. Mas o essencial se mantém: boa cama, ducha, segurança, limpeza.
CRUZEIROS
Com os cruzeiros não foi diferente. De naves sofisticadas de alto luxo reservadas a poucos, como o Queen Elizabeth 2, o setor se democratizou. Hoje, embarcações de proporções gigantescas como o Harmony of the Seas conseguem embarcar mais de 6 mil passageiros por viagem.

GIGANTE AQUÁTICO – o Harmony of the Seas, maior do mundo, embarca mais de 6 mil passageiros
A indústria de hospitalidade – em terra, ar ou mar – é um organismo vivo em contínua evolução. Como espelho, reflete hábitos, necessidades e interesses do cliente, cada vez mais globalizado e conectado. O desafio é entender e atender as exigências de um hóspede em mutação, e que detém o poder da decisão. Por isto, conquistar sua lealdade tornou-se vital.

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Fonte: https://steinberg.com.br

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