14 de julho de 2024
Turismo

Alsácia – parte 1

A Alsácia, no leste da França, é um daqueles lugares imbatíveis, que congrega cidadezinhas lindas e antigas, com sua arquitetura enxaimel, extensos vinhedos no seu entorno, e castelos medievais em suas colinas mais altas. Tem também a grande cidade de Estrasburgo, mas esta vou deixar para o próximo post.

Cidadezinhas lindas rodeadas por vinhedos a perder de vista. (Fonte: Mônica Sayão)

Outra vantagem é sua posição geográfica: faz fronteira com Alemanha e Suíça. Então qualquer viagem a Alsácia pode ser conjugada facilmente com esses dois países.
Como adoro um mapa, abaixo está a nova divisão do país, que vigora desde 1º de janeiro de 2016. A França passou a ter 18 regiões, sendo 12 no continente europeu, 1 insular (Córsega) e 5  (Guadalupe, Martinica, Guiana, Mayotte e Reunião) na França ultramarina.
Antes de 2016 eram 27 regiões, sendo a Alsácia uma delas. Hoje a Alsácia pertence à região de Grand Est, juntamente com Lorena e Champagne-Ardenne.

Nova divisão política da França. Alsácia pertence ao Grand Est, no nordeste do país. (Fonte: pt.wikipedia.org)
A França e suas 27 regiões antes de 2016. Destaque em verde para a Alsácia.
(Fonte: pinterest.com)

A história da Alsácia é bem interessante. Pertenceu ao Sacro Império Romano-Germânico até ser tomada pelo rei francês Luís XIV, em 1648. Foi devolvida à Alemanha recém-unificada em 1871, para depois ser retomada pela França após a Primeira Guerra Mundial, em 1919, pelo Tratado de Versailles. Como se isso tudo não fosse suficiente, foi anexada pelo Terceiro Reich de Hitler em 1940, e novamente retomada definitivamente (será?) pela França em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial.
Com todas essas idas e vindas, a Alsácia parece ser bem mais alemã do que francesa. Fala-se o idioma alemão, apesar da língua oficial ser o francês. Muitas cidades têm nomes alemães. Come-se chucrute com frequência e bebe-se cervejas e vinhos brancos ótimos. E essa mistura de culturas e influências, faz da Alsácia uma região muito peculiar e atraente.
Principais cidades:
1) Colmar
Colmar pode ser considerada a estrela da Alsácia. Com seus 70 mil habitantes, nem é tão pequena assim, mas sua escala arquitetônica é semelhante a dos menores vilarejos da região, o que a torna tão aconchegante e bucólica quanto as demais. Além disso, canais cortam a cidade, ladeados por encantadoras casas coloridas. Por isso sua principal atração é a “Pequena Veneza”, onde turistas disputam espaço para tirar a foto que todos querem ter.

A Pequena Veneza talvez seja o principal cartão postal de Colmar. E não é para menos… (Fonte: Mônica Sayão)

Passear a pé por suas ruas e/ou de barco por seus canais é prazer garantido. São lindas imagens a cada dobrada de esquina. E há os detalhes preciosos, como os inúmeros letreiros indicando o tipo de comércio a que estava atrelado.

Há muitos cafés e restaurantes no centro histórico. Ótimos para um descanso necessário. (Fonte: Mônica Sayão)
Os letreiros do comércio de antigamente vinham sempre com um logotipo (pois é, já existia logo…), ou melhor, com desenho divertido indicando o tipo de negócio da respectiva loja. É uam delícia observá-los. (Fonte: Mônica Sayão)
Conhecem a menor casa de Colmar? (Fonte: Mônica Sayão)
A praça central da cidade antiga. (Fonte: Mônica Sayão)
Tudo muito lindo! (Fonte: Mônica Sayão)

Há várias outras atrações em Colmar. Uma delas é o Museu Unterlinden, localizado em um antigo convento de freiras dominicanas, do século XIII. Lá estão expostas pinturas, esculturas e artefatos abrangendo o período do século XIII até o século XVI. O museu abriga uma famosíssima peça, o Altar de Isenheim, feito por Grünewald. Há também uma extensão com arte contemporânea. Imperdível.
Uma outra área chama a atenção dos turistas. É o entorno do antigo Mercado da cidade. Não só é interessante visitá-lo como passear pelo Quai de La Poissonnerie logo ao lado. O conjunto de casas super coloridas margeando o canal em frente é de fazer suspirar. É visita obrigatória!

Quai de la Poissonnerie, um dos lugares imperdíveis de Colmar. (Fonte: Mônica Sayão)
Quai de la Poissonnerie, de outro ângulo. (Fonte: Mônica Sayão)

Uma casa se destaca na cidade, e ela não é em estilo enxaimel: é a Maison des Têtes, que abriga atualmente um hotel e restaurante muito conceituados. Essa casa foi construída em 1609 e possui várias cabeças (têtes) em sua fachada. Vale conferir, se possível até se hospedar lá.

Maison des Têtes, hotel muito bom, com fachada ornada por cabeças. Bem originalo. (Fonte: Mônica Sayão)
Detalhe da fachada da Maison des Têtes. (Fonte: Mônica Sayão)

2) Ribeauvillé
O pequeno vilarejo de Ribeauvillé localiza-se 20km ao norte de Colmar, e tem aproximadamente 5 mil habitantes. Está no sopé do Massif des Vosges, cadeia de montanhas de altitude média, que segue o sentido norte-sul da Alsácia.

Logo ao entrar em Ribeauvillé, a certeza de que estamos na Rota dos Vinhos da Alsácia. (Fonte: Mônica Sayão)

Preciso falar sobre a Rota dos Vinhos da Alsácia. É uma das rotas mais antigas da França, no sentido norte-sul, e com 170km de extensão. Ao norte começa na cidade de Marlhenheim, acima de Estrasburgo, e vai seguindo rumo ao sul, até a cidade de Than, 60km ao sul de Ribeauvillé. O trajeto é inesquecível porque atravessa quase 70 cidadezinhas produtoras de vinhos, no meio de uma paisagem maravilhosa. Sem contar que várias dessas pequenas cidades pertencem à lista das Mais Belas Aldeias da França.

A Rota dos Vinhos da Alsácia. (Fonte: pinterest.com)

Ribeauvillé é muito linda também e um dos destaques da região.

Da rua principal de Ribeauvillé avista-se ruínas de um castelo medieval. De fora da cidade podemos ver que existem três ruínas de castelos distintos. (Fonte: Mônica Sayão)
O melhor que o zoom da minha câmera pode captar. (Fonte: Mônica Sayão)
Cada fachada mais simpática do que a outra. (Fonte: Mônica Sayão)
Hotel charmoso na parte mais alta da cidade. (Fonte: Mônica Sayão)

3) Riquewihr
Com uma população de aproximadamente 1.200 habitantes, Riquewirh é paixão total. Ela é cercada por muralhas antigas, rodeada por vinhedos, tem casas coloridíssimas, muitas lojinhas lindas e diversos lugares para degustação de vinhos. Quem quer mais?
Ainda não comentei que a Alsácia é cheia de excelentes restaurantes. Basta procurar no Guia Michelin e o leitor irá encontrar muitos restaurantes estrelados, muitas vezes numa dessas cidades pequenas.Vale conferir!

Riquewhir encanta desde o primeiro momento. (Fonte: Mônica Sayão)
O colorido das fachadas sempre surpreende. (Fonte: Mônica Sayão)
Um sem números de lojas super charmosas. (Fonte: Mônica Sayão)
Riquewihr é bonita em qualquer ângulo… (Fonte: Mônica Sayão)
E há muitas cegonhas na Alsácia, sempre! (Fonte: Mônica Sayão)

4) Eguisheim
Eguisheim é bem menos visitado pelos turistas. Localizada 8km ao sul de Colmar e com 1.700 habitantes, pertence àquela lista das mais bonitas aldeias da França. Tem várias fontes e fora do inverno fica muito florida. Vale muito conhecê-la, nem que seja para dar uma espiadinha rápida.

Uma joia de cidade pouco visitada. (Fonte: Mônica Sayão)

Esta imagem é a mais conhecida de Eguisheim. (Fonte: Mônica Sayão)

5) Mulhouse
Não poderia deixar de mencionar Mulhouse, também ao sul de Colmar. É lá que encontra-se a Cité de l’Automobile, que é o maior museu de automóveis da Europa.  A coleção de carros foi iniciada por dois irmãos, após a Segunda Guerra Mundial. Hoje conta com um acervo de 650 carros. Mas isso é assunto para o Henrique Kauffman falar, nosso super especialista no assunto.

Mônica Sayão

“Arquiteta de formação e de ofício por muitos anos, desde 2007 resolveu mudar de profissão. Desde então trabalha com turismo, elaborando roteiros e acompanhando pequenos grupos ao exterior. Descobriu que essa é sua vocação maior.”

“Arquiteta de formação e de ofício por muitos anos, desde 2007 resolveu mudar de profissão. Desde então trabalha com turismo, elaborando roteiros e acompanhando pequenos grupos ao exterior. Descobriu que essa é sua vocação maior.”

    5 Comentários

    • Zilton Neme 14 de março de 2020

      Prezada Mônica Sayão
      Sempre surpreendendo com cidades lindas. Parabéns

      • Mônica Sayão 14 de março de 2020

        Olá Zilton,
        Muito obrigada! Fico feliz com seu comentário.
        Em tempos de corona, pelo menos posso lhe enviar o meu abraço!!! A gente brinca pra não chorar…
        Mônica

    • Leila M P Vieira 17 de março de 2020

      Monica, como sempre adorei. Me deu até vontade de voltar. Esta foi uma das nossas melhores viagens, conjugando com Paris, acho que seria um caso a pensar quando passar a tempestade que estamos vivendo. Temos que sonhar sempre, não é, amiga?

      • Mônica Sayão 17 de março de 2020

        Leila querida,
        Opa! É uma excelente idéia!
        Muito obrigada pelo carinho de sempre.
        Bjs
        Mônica

    • Vera gilda Araujo 23 de maio de 2020

      Lindas fotos!!Que saudade!!!!!!!!

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