9 de agosto de 2022
Colunistas Lucia Sweet

Mais um pouco de mim

Para quem não me conhece bem. Eu fui fotógrafa em Paris, onde fotografava de tudo para O Globo. De moda a celebridades até acidente de avião.

Fotografei do Alain Delon (simpaticíssimo) ao Salvador Dali (tão carismático que eu tremia quando ele falava comigo, falava, não, monologava), passando pelo Saint-Laurent (que piscava o olho para mim quando me via trabalhando nos seus desfiles), a Marie Hélène de Rothschild, entre centenas de personalidades rsrsrs.

Depois voltei e escrevi sobre style, fashion and trends. Estudei muito, mas quem me ensinou a escrever mesmo, com aulas práticas e deliciosas pela cultura e refinamento intelectual, foram o Carlos Heitor Cony e o Raimundo Magalhães Jr, os dois renomados membros da Academia Brasileira de Letras, na época o ápice do Olimpo literário do Brasil. Hoje abastardou-se. Mais tarde, Antonio Olinto, outro membro da ABL, confiava tanto em mim que me mandava textos seus para eu revisar. Uma honra. E tomei muitos chás na Academia, onde fiz amizade com vários imortais.

Para quem não sabe, a ABL foi fundada na cidade do Rio de Janeiro em 20 de julho de 1897 pelos escritores Machado de Assis, Lúcio de Mendonça, Inglês de Sousa, Olavo Bilac, Afonso Celso, Graça Aranha, Medeiros e Albuquerque, Joaquim Nabuco, Teixeira de Melo, Visconde de Taunay e Ruy Barbosa.

Como jornalista, fui redatora de moda, assinei duas páginas aos sábados no Globo como Lucia Sweet e, depois, uma página no JB como Doce Vida by Lucia Sweet. Tinha uma página na Interview, fazia entrevistas, escrevi como free-lancer, enfim, adorava o que fazia.

Trabalhei muito com meu grande e saudoso amigo George Ellis, que tinha uma agência de publicidade. Fundei a assessoria de imprensa da agência e, como redatora, escrevi muitos anúncios de página inteira para lançamentos de prédios de luxo e folhetos — além de editar revistas para os funcionários de multinacionais rsrsrs.

Um belo dia George me chamou para que eu inventasse alguma coisa para as quartas-feiras no restaurante francês do Hippo, que naquele específico dia da semana não recebia o público que merecia. Na minha opinião, pela comida, ambiente e serviço, o restaurante do Hippo era o melhor restaurante francês do Rio, na época sob o comando de Claude Lapeyre, um mago das artes gastronômicas.

Outro restaurante francês cinco estrelas, não posso deixar de citar, era o do chef Laurent Suaudeau, outro mestre, que veio a convite de Paul Bocuse chefiar a cozinha do Le Saint-Honoré, no Hotel Méridien, no Rio de Janeiro, com apenas 23 anos e uma vasta experiência.

Depois, Suaudeau mudou-se para São Paulo. O Brizola foi o responsável pelo início da derrocada do Rio de Janeiro, que nunca mais conseguiu ser a cidade maravilhosa da garota de Ipanema, cantada em prosa e música. Ele proibiu a polícia de subir nos morros, como o Fachin fez agora a pedido do “Molon-dro” do PSB. Com isso os traficantes se instalaram no Rio e a violência e criminalidade tomaram conta da cidade. Sempre a esquerda e sua imposição do feio, do vulgar e do violento. Sem falar nas mentiras.

Organizei alguns jantares com Claude Lapeyre convidando seus colegas chefs franceses, completando a mesa com alguns banqueiros, mulheres deslumbrantes, personagens da vida cultural da cidade e jornalistas amigos meus, como o Boechat, por exemplo. Eram tempos divertidíssimos e a conversa, sempre muito interessante.

Voltando ao Hippopotamus, minha ideia foi fazer um jantar gastronômico às quartas-feiras. Foi um sucesso!!! Melhor ainda era escolher o menu com o chef Claude Lapeyre. Que adorava que eu falasse francês com ele sobre os segredos e a história da gastronomia. 😁. Afinal eu lia tudo sobre la vrai cuisinne française et les plaisirs du goût.

Nós escolhíamos o menu do dia — nada de nouvelle cuisinne — e eu pedia ao chef Claude Lapeyre para fazer de cada prato uma obra de arte para o paladar e uma festa para os olhos. O chef se superava cada quarta-feira. O George fazia então um cartão postal estilo art déco e mandava o menu pelo correio para os sócios. O restaurante lotava a ponto de recusar reservas.

Exemplos de menu:

La galantine de canard – sa gelée au Porto
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La crème St Germain aux croûtons
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Le petit feuilleté de crevettes ao poivre vert
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Le gigot d’agneau farci aux herbes – sa poêlée de champignons
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Les fromages de Brie et Camembert
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La soupe d’oranges et de fraises à la menthe

Ou

La salade d’endives
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La tarte aux poireaux
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Le filet de petit saumon au vin de Porto
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Les escalopes de “chester” au champagne
Le riz sauvage
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Les fromages de brie et camembert
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La poire en tulipe au coulis de fraises

Ou

Le frappé de tomates au basilic
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Le gateau de foies de volaille, sauce crevettes
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Le filet de sole au beurre blanc, riz sauvage
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Emincé de filet sauce aux truffes, noilles fraîches
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Les fromages de Brie et Camembert
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Le mille feuilles aux fraises

Foram tantos… Cada semana era uma festa. E foi assim que, depois de organizar os jantares gastronômicos, eu fui convidada a dirigir o Hippopotamus, logo depois da Danuza Leão. Aceitei por um certo tempo, mas trabalhar à noite era difícil. Logo parti para novas aventuras.

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Jornalista, fotógrafa e tradutora.

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