7 de julho de 2022
Colunistas Lucia Sweet

“A coerência das incertezas”

No dia de Santo Antonio teve, aqui em casa, canjica feita como sempre, com coco fresco ralado na hora. Uma delícia.

Sempre que uso coco para fazer doces me lembro do meu querido amigo Antonio Olinto, membro da Academia Brasileira de Letras dos áureos tempos, e que adorava sobremesas com coco.

Ele vinha muito almoçar em nossa casa. Quando acabava de almoçar, Antonio Olinto cantava feliz: ” já comi, já bebi, o que que eu estou fazendo aqui?”. Nessa época ele tinha mais de 80 anos.

Antonio Olinto é o autor da excelente trilogia “Alma da África”: “A Casa da Água”, “O Rei de Keto” e “O Trono de Vidro”.

Entre muitos outros livros — escreveu até mesmo um sobre Confúcio! —, foi o criador do Prêmio Walmap, adido cultural na Nigéria, onde aprender a falar iorubá, adido cultural em Londres, fundador de uma biblioteca dedicada a livros brasileiros na Romênia, etc.

Tinha um grupo de amigos que se reunia uma vez por semana para almoçar e tratar de assuntos relevantes conversando em latim, para não perderem a prática – entre eles Roberto Campos – com quem também almocei – e Paulo Mercadante, outro grande amigo meu (e que não era parente do Mercadante do PT) com quem almocei durante anos uma vez de semana, advogado, filósofo e escritor com várias obras da maior relevância publicadas, entre elas “A Consciência Conservadora no Brasil” e “A Coerência das Incertezas”, lançado no Brasil pela editora É Realizações e pelo Instituto Camões em Portugal.

O prefácio do livro foi escrito por Olavo de Carvalho, que o considerava um mestre. Ou seja, eu almoçava com o mestre. Sorry, periferia.

author
Jornalista, fotógrafa e tradutora.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.