O cenário é de festa para a esquerda. Alguns por convicção, mau-caratismo ou ignorância e outros pelo som da flauta ou a soma de todas as coisas. Tudo encaixado e resolvido por uma força-tarefa espúria, afinada por uma orquestra, cujo maestro arbitra por um status quo que sequer tem mais. E todos obedecem… por enquanto.
Moraes já não é mais um cidadão livre. A mão pesada da maior democracia do mundo caçou seu direito de ir e vir pela violação de direitos humanos. Ele figura na lista de ditadores, crápulas e facínoras do mundo. Na exata proporção com que ele sentenciou a vida de pessoas inocentes. Por pura questão de vingança ideológica, obsessão pelo arbítrio e exemplos de poder.
Moraes já perdeu a insígnia de representante da justiça aos olhos do mundo e se tornou um pária milionário, com uma mansão de 12 milhões de reais, relógios, carros e tantos outros bens e propriedades. Um poder tão efêmero quanto a própria vida miserável dele.
A festa da democracia esquerdista, marcada para o fatídico 11 de setembro americano, não foi por acaso. Foi um recado subliminar, uma resposta pérfida que remete à 2.996 vítimas dos ataques terroristas nos Estados Unidos. Um fato sombrio usado para escarnecer.
Com certeza, ao final do périplo condenatório não faltaram gargalhadas ecoando pelos corredores vazios de decência e democracia. Um teatro para justificar decisões arbitrárias e cruéis. Um perseguição implacável a um espectro da política do país, simplesmente por se opor.
A sensação de dever cumprido deles é a derrota excruciante do inimigo pela humilhação, sem qualquer rigor jurídico. Foi só um espetáculo, um escracho, como demonstrou Luiz Fux em 14 horas de contestação de toda a trama para impedir o crescimento do conservadorismo no país. E não faltaram exemplos.
Colocar no banco dos réus um velho combatente da pátria, como o general Heleno, condenado a cumprir pena de 21 anos, em regime fechado, foi o ápice do escárnio.
Talvez ele seja o exemplo de vingança mais emblemático de todos. Tudo porque o Gal. Augusto Heleno Ribeiro Pereira, 77 anos, é conhecido até hoje pela esquerda como o capitão “linha dura” do Exército Brasileiro, nos tempos do governo de Emílio Garrastazu Médici – o mais odiado dos generais.
Atuou como comandante da Amazônia, no setor de informações do exército, entre outras funções. Mas o que o notabilizou foi o comando de uma missão de paz, no Haiti, após a deposição do presidente daquele país, o ex-padre salesiano e socialista Jean-Bertrand Aristide, durante o governo de Lula, em 2005. A história carece de dados confiáveis sobre o fatos, porque tudo foi manipulado, mas vamos a eles de forma resumida.
O Haiti vinha sofrendo com ditaduras desde 1957, quando François Duvalier, o “Papa Doc”, assumiu o poder, através de eleições livres. Depois, em 1964, implantou um regime autocrático de perseguição sem precedentes aos opositores do regime, que, na primeira fase, terminou em 1971 com a sua morte.
“Papa Doc” era um sanguinário que associou sua persona às figuras míticas vodus, crenças que seguia, praticava e servia para amedrontar as pessoas. Ele criou seu próprio esquadrão da morte, o “Tonton Macoute”, que torturava e executava os que se opunham e contestavam seu poder. A população tinha pavor das práticas de terror do médico ditador. Isso mesmo, era médico formado nos Estados Unidos, porém, o regime não acabou aí.
Após sua morte, seu filho Jean-Claude Duvalier, o “Baby Doc”, assumiu o poder e continuou a saga sangrenta do pai. Muitos foram torturados e mortos e milhares de haitianos fugiram do país até sua deposição em 1986.
O Haiti viveu tempos incertos que pareciam ter acabado quando Jean-Bertrand Aristide ganhou as eleições. Mas não foi assim.
De inclinação socialista, enquanto pároco, ministrava os ensinamentos da teologia da libertação, perfil que não agradava aos que se opunham à implantação do comunismo no país. Foi expulso da Ordem Salesiana por incitação ao ódio e violência.
Ele sofreu dois golpes de estado e quatro tentativas de assassinato – supostamente pelos remanescentes do Tonton Macoute – durante os anos em que permaneceu no poder, em dois mandatos, entre 1991 e 1996, depois de 2001 a 2004.
Jean-Bertrand também lançava mão de recursos nada religiosos, como o apoio de gangues de rua para perseguir opositores.
Quando o líder do “Exército Canibal” , um desses grupos, foi assassinado, os membros acreditaram que a ordem partiu do presidente e se rebelaram. Não se sabe ao certo, porém os ataques violentos contra os estudantes da Universidade de Porto Príncipe foram ordenados por ele.
Um sujeito, em tese religioso, mas que aperfeiçoou táticas de crimes e abusos no poder. Ele foi acusado também de cometer massacres em uma comunidade. Até que uma rebelião popular tomou conta do país e o caldo entornou. Ele foi retirado do Haiti por forças americanas e canadenses para não ser morto por populares.

Essa é uma breve síntese do quadro que o general Heleno encontrou no Haiti. Um país em convulsão, tomado por gangues violentas, devastado pela barbárie e pela miséria.
General Heleno chegou ao Haiti em 2005, comandando os capacetes azuis da missão “Minustah”, criada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, para restaurar a lei e a ordem no país, após o massacre de civis em Cité Soleil, a maior favela haitiana.
Confrontos ocorreram, a sociedade estava dividida e as gangues agiam livremente. Uma operação, denominada “Punhos de ferro” tinha como objetivo capturar Dread Wilme, um líder insurgente e perigoso, responsável por chacinas. A missão foi recebida a balas e iniciou-se um intenso fogo cruzado, que terminou com a morte do alvo da operação e várias outras pessoas.
Porém, apesar do êxito da missão, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos declarou que a operação foi um massacre” e que excessos foram cometidos.
Lula retirou o Gal. Heleno da operação, ou seja, um país violento, incomodado com a ordem que estava sendo imposta por uma missão de regramento social mexeu com os brios dos que lucravam com a desgraça.
O general designado por Lula para substituir o Gal. Heleno, quatro meses depois se suicidou. O que leva a crer – não se sabe – que a situação naquele país era tão grave que precisava ter nervos de aço nos confrontos. Fatos de abusos cometidos pelas forças da Minustah jamais foram comprovados. Era uma guerra.
Em sã consciência, alguém imagina que o Gal Heleno, com suas patentes e histórico militar, iria para um país em convulsão para acariciar chefes de gangues? Ele foi duro e tático. As circunstâncias daqueles tempos exigiam isso. Mas daí a se dizer que ele foi para um país combalido para continuar a prática dos massacres é um argumento pífio dessa esquerda sectária dos direitos humanos de palanque.
A questão é que a esquerda tem como método a destruição de reputações e de convencimento de incautos e ignorantes. É o que se vê nas universidades e instituições ligadas ao poder.
Enclausurar Heleno foi um recado aos militares de fardas honradas, que hoje sequer defendem regimes de exceção, mas não são traidores da pátria. Nem a direita esclarecida do país acredita na tese de tomar governos pela força.
A máquina de atropelos ignora tudo isso. O parlamento silencioso se adapta baixando a cabeça e esperando por resultados – a parcela corrupta – dessa nova ordem.
O Poder Judiciário está sendo usado para perpetrar a farsa do jogo político de um sistema podre que, mais dia menos dia, vai cair, mas antes disso precisa de exemplos para punir, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, Gal. Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF; o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro (réu-delator); o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin; e o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.
Danos colaterais para justificar a encenação do golpe mais capenga da história do país, impor o medo e consolidar a ditadura.

